A alegria do amor no cinema

A propósito da exortação apostólica do Papa Francisco

EM VILA NOVA DE GAIA

 

«A alegria do amor que se vive nas famílias é também o júbilo da Igreja. Apesar dos numerosos sinais de crise no matrimónio – como foi observado pelos Padres sinodais – “o desejo de família permanece vivo, especialmente entre os jovens, e isto incentiva a Igreja”. Como resposta a este anseio, “o anúncio cristão sobre a família é verdadeiramente uma boa notícia”».

Francisco, Amoris laetitia,  n. 1

 

No seguimento da exortação apostólica Amoris laetitia (A alegria do amor) do papa Francisco sobre o amor na família, o Centro de Cultura Católica do Porto e a Pastoral Familiar da Vigararia de Gaia Norte vêm propor um ciclo de cinema alusivo ao tema. Acolhem em parte a proposta da Associação Católica Mundial para a Comunicação Signis, divulgada em Portugal pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

São propostos cinco filmes que, tocando algumas das questões familiares abordadas na exortação apostólica, podem ser ocasião para as refletir a partir da história de cada filme. Os filmes são antecedidos de uma breve introdução e seguidos do diálogo que se proporcionar entre os presentes.

O ciclo, de entrada livre, decorre no Centro Paroquial de Oliveira do Douro, em Vila Nova de Gaia, com uma sessão por mês, de janeiro a maio de 2017, à segunda-feira, às 21.00 h., de acordo com o calendário que a seguir se divulga, conjuntamente com o alcance familiar de cada filme a partir da proposta que acolhemos:

 
Cartaz do Filmezoomzoom

30 de janeiro: A família Bélier, de Éric Lartigau (França, 2014)

Introdução e comentário de Filomena e Paulo Osswald

«Todos os membros da família Bélier são surdos-mudos, exceto Paula, de 16 anos. Ela faz de intérprete para os seus pais, especialmente no que respeita ao funcionamento da quinta familiar. O conflito dá-se quando Paula, incentivada pelo seu professor de música, que descobriu o seu talento para o canto, pensa sair de casa para estudar. Com uma boa mistura de comédia e drama, com música e letras realmente comovedoras, o filme realça muitos valores familiares, como o amor, a ternura, a comunicação e a ajuda mútua. Podemos evocar aqui as palavras do papa na sua exortação: “As pessoas com deficiência são, para a família, um dom e uma oportunidade para crescer no amor, na ajuda recíproca e na unidade. […] A família que aceita, com os olhos da fé, a presença de pessoas com deficiência poderá reconhecer e garantir a qualidade e o valor de cada vida, com as suas necessidades, os seus direitos e as suas oportunidades” (n. 47)».

20 de fevereiro: Kramer contra Kramer, de Robert Benton (EUA, 1979)

Introdução e comentário de Ana Gordinho e Rufino Silva

«O pai e esposo Ted Kramer (Dustin Hoffman) ama a sua família e o seu trabalho, onde passa a maior parte do tempo. Uma noite, ao regressar a casa, a esposa Joanna (Meryl Streep) confronta-o e decide abandoná-lo, forçando-o a encarregar-se do filho de seis anos. Kramer contra Kramer é um drama sem precedentes sobre a dor causada pelo divórcio e a luta para manter o equilíbrio entre o trabalho e a família. Recebamos o que nos diz a Amoris laetitia: “Tem-se de acolher e valorizar sobretudo a angústia daqueles que sofreram injustamente a separação, o divórcio ou o abandono, ou então foram obrigados, pelos maus-tratos do cônjuge, a romper a convivência. Não é fácil o perdão pela injustiça sofrida, mas constitui um caminho que a graça torna possível. Daí a necessidade duma pastoral da reconciliação e da mediação, inclusive através de centros de escuta especializados que se devem estabelecer nas dioceses” (n. 242)».

6 de março: Na América, de Jim Sheridan (Irlanda/Grã-Bretanha, 2002)

Introdução e comentário de Helena e Jorge Fontainhas

«Jim Sheridan conta-nos a história de uma família de imigrantes irlandeses que viajam para os Estados Unidos em busca de melhores oportunidades de vida. Desde a linha fronteiriça percebemos a dor que atravessa esta família: o pai sem trabalho e com muito pouco dinheiro; a mãe com depressão; Cristy, a filha adolescente, que não diz palavra; Ariel, uma simpática menina de uns cinco anos. Contudo, é uma família que está a caminho, que sonha e se esforça por seguir em frente. No n. 46 da Amoris laetitia podemos ler a respeito: “As migrações ‘constituem outro sinal dos tempos, que deve ser enfrentado e compreendido com todo o seu peso de consequências sobre a vida Familiar'. [...] A Igreja desempenhou, neste campo, papel de primária grandeza. A necessidade de manter e desenvolver este testemunho evangélico (cf. Mt 25, 35) aparece hoje mais urgente do que nunca”».

24 de abril: Caminho para casa, de Lee Jeong-Hyang (Coreia do Sul, 2002)

Introdução e comentário de Ana e Vasco Varela

«Sang-Woo, uma criança de sete anos, viveu toda a sua vida na cidade. Mas agora tem de ir para o campo e ficar com a avó, uma mulher surda-muda que guarda belos segredos no seu coração. Filme dedicado a todas as avós, que nos fala do amor incondicional, da ternura e da sabedoria dos idosos. “Os idosos - diz o papa no n. 192 - ajudam a perceber ‘a continuidade das gerações’, com ‘o carisma de lançar uma ponte’ entre elas. Muitas vezes são os avós que asseguram a transmissão dos grandes valores aos seus netos, e ‘muitas pessoas podem constatar que devem a sua iniciação na vida cristã precisamente aos avós’. As suas palavras, as suas carícias ou a simples presença ajudam as crianças a reconhecer que a história não começa com elas, que são herdeiras dum longo caminho e que é necessário respeitar o fundamento que as precede"».

29 de maio: A festa de Babette, de Gabriel Axel (Dinamarca, 1987)

Introdução e comentário de Sónia e Manuel Martins

«Um dos filmes favoritos do papa Francisco. Deixemos que ele mesmo no-lo recomende:  “A alegria deste amor contemplativo deve ser cultivada. Uma vez que somos feitos para amar, sabemos que não há maior alegria do que partilhar um bem: ‘Dá e recebe, e alegra a tua vida’ (Sir 14, 16). As alegrias mais intensas da vida surgem quando se pode provocar a felicidade dos outros, numa antecipação do Céu. Vem a propósito recordar a cena feliz do filme A festa de Babette, quando a generosa cozinheira recebe um abraço agradecido e este elogio: ‘Como deliciarás os anjos!’ É doce e consoladora a alegria de fazer as delícias dos outros, vê-los usufruir delas. Este júbilo, efeito do amor fraterno, não é o da vaidade de quem olha para si mesmo, mas o do amante que se compraz no bem do ser amado, que transborda para o outro e se torna fecundo nele” (n. 129)».

 
 
Folheto
Cartaz

Em Paços de Ferreira

 

Numa iniciativa conjunta do Centro de Cultura Católica e da Pastoral Familiar da Vigararia de Paços de Ferreira, o ciclo “A Alegria do Amor” no cinema é replicado em Paços de Ferreira, em sessões mensais, de março a julho de 2017, à segunda-feira, às 21.00 h., de acordo com o calendário e local que a seguir se divulga:

20 de março, Centro Paroquial de Freamunde: A família Bélier, de Éric Lartigau

24 de abril, Centro Paroquial de Meixomil: Kramer contra Kramer, de Robert Benton

15 de maio, Auditório da Igreja de Modelos: Na América, de Jim Sheridan

5 de junho, Centro Paroquial de Sanfins de Ferreira: Caminho para casa, de Lee Jeong-Hyang

3 de julho, Centro Paroquial de Ferreira: A festa de Babette, de Gabriel Axel

 

Folheto
Cartaz