A Comunicação com os Doentes de Alzheimer

 

Em 27 de junho de 2006 encerrou a fase letiva do Curso de Pastoral da Saúde que, ao longo dos últimos dois anos, decorreu no Centro de Cultura Católica. O Curso teve a direção científica dos Religiosos Camilianos, concretamente do Centro de Humanización de la Salud, de Madrid, e o apoio da Comissão Nacional da Pastoral da Saúde. Dos cerca de cinquenta que iniciaram esta caminhada, a maior parte chega ao fim, muitos em condições de concluir com aproveitamento, elaborando o Projeto Pastoral que é pedido como definitiva prestação de provas. Foi uma iniciativa de formação numa área da “cultura católica” relativamente à qual não é muito usual pensar que seja necessária formação: a caridade. Mas é! Não basta fazer o bem. É preciso fazê-lo bem, a fim de que não redunde em mal para aqueles a quem se faz. E se isto é verdade em todas as dimensões do agir caritativo da Igreja e dos seus filhos, é-o de um modo particular, neste âmbito concreto que é o da Pastoral da Saúde. Aqueles que estão doentes passam por uma experiência de especial vulnerabilidade e fragilidade. É necessário aprender a relacionarmo-nos com eles, não vá acontecer que, com a melhor intenção de ajudar, atropelemos, infantilizemos e impeçamos as pessoas de crescer com a nossa “pena” formulada em piedosos “coitadinho”. Isto aprende-se e deve ser ensinado. Por isso, o Secretariado Diocesano de Pastoral da Saúde pretende, já no próximo ano, no contexto da ação do Centro de Cultura Católica, propor novas iniciativas de formação nesta área. Também para sublinhar que não há “cultura católica” se a caridade não for contemplada. De facto, a caridade é a linguagem da fé e a evangelização, neste tempo farto de palavras e imagens, cada vez mais se fará pelo testemunho livre e gratuito do amor ao outro.

Na sua primeira Encíclica – Deus é Amor – o Papa Bento XVI diz com toda a clareza àqueles que, na Igreja, agem no mundo da saúde e da doença: “Relativamente ao serviço que as pessoas realizam em favor dos doentes, requer-se, antes de mais, a competência”. Salvaguardando que esta, que é a primeira e fundamental, não basta, acrescenta que o serviço prestado ao outro, porque “se trata de seres humanos”, deve ser prestado dedicadamente “com as atenções sugeridas pelo coração”. Daqui, o Papa conclui a necessidade de aqueles que se ocupam dos doentes necessitarem da “«formação do coração»: é preciso levá-los àquele encontro com Deus em Cristo que suscite neles o amor e abra o seu íntimo ao outro de tal modo que, para eles, o amor do próximo já não seja um mandamento, por assim dizer, imposto de fora, mas uma consequência resultante da sua fé, que se torna operativa pelo amor (cf. GL 5, 6)”. São inequívocas as palavras de Bento XVI e apontam um caminho que, muito singularmente, o Secretariado Diocesano de Pastoral da Saúde sente como dever seu percorrer e abrir para que muitos, na Diocese do Porto, possam chegar a uma consciência mais viva da sua responsabilidade no serviço aos que sofrem e a uma competência maior para oferecer este serviço.

Mais de cem pessoas compareceram na sessão aberta de encerramento do Curso de Pastoral da Saúde, na Casa de Vilar, em 27 de Junho, entre as 21 e as 23h, sobre A Comunicação com os Doentes de Alzheimer. Este Encontro, orientado pela Professora Felicidad Vicente, responsável pela Formação no Centro de Humanización de la Salud, em Madrid, revestiu-se de interesse unanimemente reconhecido por todos os que nele estiveram presentes. A exposição da oradora, clara e rigorosa, usando linguagem simples e acessível, apesar do espanhol, foi enriquecida com histórias de vida apresentadas por alguns dos participantes que conheceram ou conhecem, nas suas famílias, a experiência de acompanhar Doentes atingidos por esta doença. Foi uma noite para não esquecer, que prova que as iniciativas de formação, quando vão ao encontro das necessidades reais das pessoas, conseguem reunir muitos e suscitam reflexão e partilha que a todos enriquecem.

Movido pela convicção de que “não basta fazer o bem. É preciso fazê-lo bem”, o Secretariado Diocesano de Pastoral da Saúde propõe-se, já no próximo ano, realizar mais formação na área que lhe compete, integrada na atividade do Centro de Cultura Católica, onde está empenhado em manter um espaço específico de formação para os diversos agentes pastorais que, na diocese, desenvolvem a sua ação no serviço da caridade. Com este fim, a Pastoral da Saúde está empenhada num trabalho prospetivo com o Secretariado Diocesano da Pastoral Sóciocaritativa, em articulação estreita com o qual quer desenvolver a sua ação. Dois cursos estão previstos para o próximo ano: um para a formação de Visitadores Paroquiais de Doentes e outro para Cooperadores Voluntários de Capelanias Hospitalares. Serão cursos de curta duração, intensivos, com a intenção de formar agentes para estes dois âmbitos que a Pastoral da Saúde não pode deixar de olhar com igual prioridade: as Paróquias e os Hospitais. Será também sujeito a um aturado processo de revisão e reformulação o Curso de Pastoral da Saúde que agora termina, com o intuito de, dentro de algum tempo o promover de novo, em moldes novos, a partir da reflexão que a experiência adquirida com a realização desta primeira iniciativa do género permite.

José Nuno

Assistente do Secretariado Diocesano de Pastoral da Saúde

Sessão de Encerramento do Curso de Pastoral da Saúde I - 27 de Junho de 2006