O CCC mantém em lecionação em 2018/2019 a ação de formação em Iconografia Cristã, com novos conteúdos, procurando assim variar as suas propostas formativas, de modo a chegar a outros interessados e a também poder ir ao encontro daqueles que já frequentaram ou estão a frequentar os seus cursos:

Em 2018/2019 é lecionado um segundo nível - Iconografia Cristã II - que pode ser frequentado também por quem não frequentou o primeiro no ano anterior.

A Iconografia Cristã II, autónoma relativamente ao Curso Básico de Teologia, mas com as mesmas regras de inscrição e frequência, é lecionada em horário imediatamente antecedente num dos dias deste Curso, de modo que os alunos que se encontram inscritos nele, se o pretenderem e se inscreverem, possam também frequentá-la. É lecionada à sexta-feira, das 18 às 18.50 h., de outubro a junho, de acordo com o calendário do CCC.

O cumprimento das normas de assiduidade do Curso Básico de Teologia e a avaliação positiva  permitem que a Iconografia Cristã II possa substituir no plano de estudos deste Curso uma das suas disciplinas que não seja de frequência obrigatória.

A frequência de Iconografia Cristã II tem uma taxa de inscrição e frequência igual à da inscrição e frequência numa única disciplina do Curso Básico de Teologia. Os alunos que estiverem inscritos no Curso ou em parte dele gozam de redução de taxa.

As inscrições decorrem até 31 de julho e de 3 a 28 de setembro. Havendo inscrições suficientes, as aulas iniciam-se a 12 de outubro.

Deixa-se a seguir a ficha de Iconografia Cristã II elaborada pelo docente.

 

Apresentação

 

O Papa João Paulo II apresenta, na Carta aos Artistas, um pensamento que é fundamental para perceber a importância da Arte para a Igreja:

«Para transmitir a mensagem que Cristo lhe confiou, a Igreja tem necessidade da arte. De facto, deve tornar percetível e até o mais fascinante possível o mundo do espírito, do invisível, de Deus. Por isso, tem de transpor para fórmulas significativas aquilo que, em si mesmo, é inefável. Ora, a arte possui uma capacidade muito própria de captar os diversos aspetos da mensagem, traduzindo-os em cores, formas, sons que estimulam a intuição de quem os vê e ouve. E isto, sem privar a própria mensagem do seu valor transcendente e do seu halo de mistério. A Igreja precisa particularmente de quem saiba realizar tudo isto no plano literário e figurativo, trabalhando com as infinitas possibilidades das imagens e suas valências simbólicas. O próprio Cristo utilizou amplamente as imagens na sua pregação, em plena coerência, aliás, com a opção que, pela Encarnação, fizera d'Ele mesmo o ícone do Deus invisível» (Carta aos Artistas, nº 12, 1999).

Com a perceção desta enorme capacidade da Arte para veicular conceitos difíceis de transmitir, facilmente se compreende que a Igreja tenha recorrido, desde os primórdios, à expressão artística como forma de aproximação à fé, de contemplação do mistério e ainda como pedagogia para propor a Boa Nova de Jesus a todos e, em particular, aos mais simples. Porém, com a crescente e progressiva secularização, os próprios crentes, muitas vezes, já não conseguem entender a mensagem contida nas obras de arte, ao mesmo tempo que se distanciam da arte como instrumento de educação. Procurando reverter esta situação, a disciplina de Iconografia Cristã desenvolve um trabalho importante no sentido de voltar a dar à Arte a devida relevância na transmissão das verdades da Fé, para o que necessita de ser compreendida pelos crentes.

 

Objetivos gerais

 

Recuperar e explicar o sentido perdido da arte cristã, não só para a contemplação estética, mas com vista a uma melhor compreensão dos mistérios de Deus, a fim de vivenciar mais profundamente as verdades da fé e abrir caminhos novos para dar testemunho da alegria da Boa Nova de Jesus. Nesse sentido entendemos que também se integra nestes objetivos apresentar a contemplação artística e a compreensão da mensagem das obras de arte como possíveis caminhos individuais para alimentar a fé, contemplar o Mistério de Deus e aprofundar a experiência pessoal de Oração e de Vida.

 

Objetivos específicos

 

1. Estimular para a descoberta dos segredos e da beleza da mensagem artística como caminho para a compreensão dos principais mistérios da fé através da análise de obras de arte cristã.

2. Proporcionar um maior contacto com a Bíblia, com textos da Patrística e fontes medievais cristãs.

3. Sensibilizar para a importância da linguagem estética e simbólica da Arte como pedagogia catequética e caminho novo no processo de evangelização nos tempos modernos, inclusive para as pessoas de menor formação.

4. Motivar para a dimensão e valor do património artístico cristão presente nas igrejas e museus e a sua utilidade nos dias de hoje como agente de formação.

5. Fornecer indicações simples, compreensíveis e atrativas para enriquecer e complementar a comunicação com os crentes (homilias, cursos de formação, catequese, palestras…) e a transmissão mais clara dos mistérios da fé cristã.

 

Metodologia

 

Os temas da Iconografia Cristã selecionados serão apresentados de forma prática, mediante uma linguagem acessível, mas rigorosa, interagindo diretamente com os formandos, recorrendo à projeção das imagens e fazendo a sua análise segundo um esquema tripartido: História, Culto e Iconografia.

No que diz respeito à História serão apresentadas, para cada tema, as principais fontes gráficas e literárias da arte cristã (patrísticas, medievais e pós-tridentinas, entre outras). Na vertente respeitante ao Culto, os temas serão apresentados referenciando as suas origens, a sua época e evolução, respeitando a Tradição e o Ministério da Igreja. No que se refere à Iconografia, serão analisadas imagens devidamente selecionadas para explicar a sua criação, o simbolismo presente, a evolução ao longo dos séculos e tentar interpretar corretamente a mensagem que o autor pretendeu transmitir, atendendo aos objetivos acima referidos.

Tendo em conta as dificuldades verificadas no acesso a bibliografia específica, sempre que possível, serão fornecidos antecipadamente, textos básicos, importantes para cada tema, a fim de proporcionar, durante as aulas, condições para debate de conceitos e troca de conhecimentos.

 

Programa

 

1. Introdução à Iconografia e Iconologia

2. Símbolos Bíblicos e Alegorias da Arte Cristã

3. Iconografia do Antigo Testamento

4. O bestiário medieval de Jesus Cristo

5. Anjos e Demónios no contexto cristão

6. Iconografia do Apocalipse, do Purgatório e dos Novíssimos

7. Iconografia dos Apóstolos, Evangelistas e outros Santos

8. Ícones das festividades bizantinas

Tendo em conta o tempo disponível para a disciplina e a vastidão das temáticas abrangidas pelo Programa, serão selecionados, para análise e debate, como base de trabalho, os episódios mais frequentes e/ou os mais significativos.

 

Bibliografia

 

Apresenta-se uma reduzida lista bibliográfica, elementar, a qual será ampliada no decurso das aulas com textos e obras de referência de acordo com os temas em estudo.

BÍBLIA Sagrada. 3ª ed. Lisboa/Fátima: Difusora Bíblica, 2002.

CAPOA, Chiara de – Episodios y personajes del Antiguo Testamento. Barcelona: Electa, 2003.

CARMONA MUELA, Juan — Iconografía Cristiana: Guía básica para estudiantes. Madrid: Istmo, 1998.

CATECISMO da Igreja Católica. 2ª ed. Coimbra: Gráfica de Coimbra, 1997.

ESTEBAN LORENTE, Juan Francisco — Tratado de Iconografía. Madrid: Istmo, 1990.

FERRANDO ROIG, Juan – Iconografía de los Santos. Barcelona: Ediciones Omega, 1950.

GONÇALVES, Flávio — Breve ensaio sobre a iconografia da pintura religiosa em Portugal. Lisboa: [s.n.], 1973.

GIRARD, Marc – Os Símbolos na Bíblia. São Paulo: Paulus, 1997.

RÉAU, Louis – Iconografía del Arte Cristiano. 6 Vols., Barcelona: Ediciones del Serbal, 2000.

SANTOS OTERO, Aurelio de (coord.) – Los Evangelios Apócrifos. Madrid: Biblioteca de Autores Cristianos, 1999.

Docente

Luis Alberto Casimiro

Iconografia Cristã II

Uma proposta de formação para 2018/2019