Palavras e Momentos…

11.6.2010

Dá-nos Mãos Ungidas

Dá-nos mãos ungidas que nos guiem

Entrega-nos Pai quem nos conduza

Até sermos todos em Ti

D’entre nós que somos teus

Vem chamar quem nos ensine

A escutar o laço aberto

Do silêncio que nos dizes

Quem escute que pedimos

A doçura dos Teus olhos

E nos traga em suas mãos

A manhã da Tua luz

Vem chamar os que se entregam

E desfazem no Teu lume

Ateando em nossas vidas

O tamanho do Teu nome

Vem chamar quem pacifique

Nossas mãos e que recrie

O passar igual dos dias

No Teu rosto sempre novo

Torna largo o seu abraço

Fá-los signos d’alegria

E do colo onde recolhes

Um a um nossos caminhos

Vela todos os seus passos

D’les que velam nossos dias

E condu-los pois conduzem

Nossos sonhos para Ti

Daniel Faria

 

1.5.2010

Contemplar Cristo com Maria

A ninguém escapa o carácter cristocêntrico deste exercício de piedade [Rosário]. […] De facto, não se trata de recitar Ave Marias por atacado e de forma rotineira, mas de, no ritmo e pulsar de cada dezena, contemplar o mistério de Cristo e nele penetrar para melhor o assimilar e viver. Trata-se de contemplar, em comunhão orante com Maria, uma série de mistérios da Salvação distribuídos em 4 ciclos que exprimem o gozo dos tempos messiânicos; a luz do mistério messiânico de Jesus, do Jordão à Ceia; a dor salvífica da Paixão; e a glória do Ressuscitado (cf. MC 49).

Mistérios Gozosos: Contemplar a Luz da Encarnação

Senhor Jesus Cristo, com a vossa Mãe contemplamos

os Mistérios da vossa Encarnação.

O olhar íntimo do nosso amor pousou sobre o vosso amor por nós,

quando foste anunciado, ó Deus peregrino do Homem

e, no coração de vossa Mãe, logo fizestes, no seu seio, causa de alegria nova,

depois acolhida por pastores e cantada por anjos, na Noite que Vos viu nascer,

alegria que nem as profecias de Simeão, no Templo, obscureceram, antes remeteram

para a sua profundidade pascal, que os três dias de perda e de encontro,

vieram confirmar.

Nós Vos louvamos, nós Vos bendizemos, nós Vos glorificamos e Vos pedimos hoje,

por intercessão de Maria, vossa Mãe e figura da Igreja-Mãe,

que nos concedais acolher, viver e testemunhar essa alegria nova

que os Mistérios da vossa Encarnação redentora oferecem à Humanidade.

Nós vo-lo pedimos a Vós, ó Filho da Virgem Maria, porta da Alegria

que com o Pai sois Deus,

na unidade do Espírito Santo.

Mistérios Luminosos: Contemplar a Luz da Missão

Senhor Jesus Cristo, com a vossa Mãe contemplamos

os Mistérios da vossa Vida Pública.

O olhar íntimo do nosso amor pousou sobre o vosso amor por nós,

quando fostes baptizado por João, ó Deus alinhado com o Homem

e, ao rogo da vossa Mãe, destes o primeiro sinal da iminência da Hora da Nova Aliança

que anunciastes em palavras e gestos de uma luz clara que permitia ver o Reino

luz que os discípulos escolhidos viram de mais perto, no lugar alto da Transfiguração

luz que se fez, em pão e vinho, Corpo e Sangue, em Noite vespertina da Hora maior do Amor.

Nós Vos louvamos, nós Vos bendizemos, nós Vos glorificamos e Vos pedimos hoje,

por intercessão de Maria, vossa Mãe e figura da Igreja-Mãe,

que nos concedais acolher, viver e testemunhar a luz do Reino

que os Mistérios do vosso Ministério oferecem à Humanidade.

Nós vo-lo pedimos a Vós, ó Filho da Virgem Maria, que Vos deu à luz, ó Luz

que com o Pai sois Deus,

na unidade do Espírito Santo.

Mistérios Dolorosos:  Contemplar o Amor da  Paixão

Senhor Jesus Cristo, com a vossa Mãe contemplamos

os Mistérios da vossa Paixão e Morte.

O olhar íntimo do nosso amor pousou sobre o vosso amor por nós,

quando, no combate do horto, ó Deus tão Homem, escolhestes amar

e por amor, nessa Noite longa entre todas, voluntário prisioneiro fostes flagelado,

depois coroado de espinhos, essa ofensa tão real

e no Dia que se fez caminho da Cruz, via do Amor maior,

hora de morte livremente acolhida,

Vos oferecestes em oblação, perdão e redenção, e voltastes ao regaço órfão da vossa Mãe.

Nós Vos louvamos, nós Vos bendizemos, nós Vos glorificamos e Vos pedimos hoje,

por intercessão de Maria, vossa Mãe e figura da Igreja-Mãe,

que nos concedais acolher, viver e testemunhar o Amor tão grande

que o Mistério da vossa Paixão redentora oferece à Humanidade.

Nós vo-lo pedimos a Vós, ó Filho da Virgem Maria, Amor presente ao pé da Cruz

que com o Pai sois Deus,

na unidade do Espírito Santo.

Mistérios Gloriosos:  Contemplar a Glória da Ressurreição

Senhor Jesus Cristo, com a vossa Mãe contemplamos

os Mistérios da vossa Glorificação.

O olhar íntimo do nosso amor pousou sobre o vosso amor por nós,

quando, Deus-Homem ressuscitado, Vos destes a conhecer pelos sinais da Paixão

e, na Ascensão, convocastes os olhares dos vossos para o Alto,

para os enviar ao mundo animados pelo Espírito do fogo e da paz,

cumpridos os cinquenta dias da Páscoa;

ao Alto assumistes vossa Mãe, tão totalmente quão totalmente ela para Vós viveu,

E, revestindo-a de sol, de pé sobre a lua, de estrelas coroada, a constituístes Rainha.

Nós Vos louvamos, nós Vos bendizemos, nós Vos glorificamos e Vos pedimos hoje,

por intercessão de Maria, vossa Mãe e figura da Igreja-Mãe,

que nos concedais acolher, viver e testemunhar a esperança

que o Mistério da vossa Glorificação, vitorioso sobre a morte, oferece à Humanidade.

Nós vo-lo pedimos a Vós, ó Filho da Virgem Maria, testemunha da vossa Glória

que com o Pai sois Deus,

na unidade do Espírito Santo.

Contemplar Cristo com Maria. Propostas para Contemplar os Mistérios do Rosário, [Guião para o Mês de Maio, elaborado no âmbito da Missão 2010].

 

3.4.2010

Ressurreição

Que grande silêncio hoje na terra!

Silêncio e solidão,

porque o grande Rei dorme.

A terra recolhe-se receosa

porque Deus dorme na sua carne

para ir despertar os que dormem há séculos.

Cristo, Sol divino, deitou-se.

É hoje a salvação de todo o cosmos,

do mundo visível e do mundo invisível.

Desçamos com Cristo

e contemplemos junto dele

o mistério escondido que acontece.

Escuta o sentido profundo da Paixão de Cristo.

Escuta e canta um hino de glória.

Escuta e celebra as maravilhas de Deus.

Vê como se dissipam as figuras

e desaparecem as sombras.

Como se retira a Lei para deixar florir a Graça.

Como o Sol enche toda a Terra…

como as coisas antigas passaram

e se expandiram as novas.

Epifânio de Salamina (±315-403)

 

17.2.2010

Decálogo de Quaresma

Quaresma, tempo de nos centrarmos no essencial da vida cristã. Ainda que preocupados com as nossas próprias necessidades humanas vitais, temos de saber converter Jesus Cristo, frequentemente marginal e marginalizado, no centro da nossa vida.

Quaresma, tempo de esforço para conhecermos melhor o Senhor e nos identificarmos com o seu Evangelho. Aquele que já conhecemos e amamos, fazendo-o mais vida da nossa vida.

Quaresma, tempo de aprofundamento no contacto com a Sagrada Escritura. Esta Bíblia que nos é proclamada na assembleia, mas que cada um acolhe segundo o ritmo de fé pessoal, também pede para ser lida individualmente.

Quaresma, tempo de aproximação mais intensa às fontes da graça, representadas pela penitência e pela eucaristia. Como pecadores perdoados temos de acolher todas as oportunidades que Deus nos oferece na sua misericórdia.

Quaresma, tempo de viver o Baptismo, quiçá já longe no tempo, mas ponto de partida da nossa filiação divina e vínculo de comunhão com toda a Igreja que se prepara para a nova graça baptismal de Páscoa.

Quaresma, tempo de consolidar os compromissos que contraímos com Deus, com a Igreja, com os que nos são mais próximos, e que juntaremos interiormente à renovação pascal das promessas do baptismo.

Quaresma, tempo de luta contra o mal que há no nosso interior e que vemos à nossa volta, de tal forma que, onde não possamos chegar, a identificação com Cristo nos permita participar do seu combate até ao fim dos tempos.

Quaresma, tempo de solidariedade e de especial compromisso com os necessitados, para lhes darmos não só o que nos sobra ou aquilo de que nos abstemos, mas também nós próprios.

Quaresma, tempo de fazer da austeridade a nossa mais profunda liberdade relativamente aos pequenos prazeres ou distracções de que nos servimos, mas que também nos podem escravizar.

Quaresma, tempo de esperar com ânsia espiritual a santa Páscoa, e assim nos exercitarmos a fazer da nossa vida uma identificação com a morte e ressurreição de Cristo.

Bernabé Dalmau

 

Maria, Senhora da Quaresma

Mãe de Deus, esperança e protecção de quem te celebra,

livra-me do grave peso do meu pecado

e envolve-me, Virgem soberana,

na transformação do arrependimento.

[…]

Puríssima Rainha, Mãe de Deus,

esperança de quem a ti vem,

porto de navegantes no mar tempestuoso,

invoca sobre mim com as tuas orações

o perdão do teu compassivo Criador e Filho.

Cânone de Santo André de Creta (séc. VII)

 

15.1.2010

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos - 18 a 25 de Janeiro de 2010

Vós Sois Testemunhas destas Coisas (Lc 24,48)

No movimento ecuménico, temos frequentemente meditado sobre o discurso final de Jesus antes da sua morte. Nesse testamento final a importância da unidade dos discípulos de Cristo é enfatizada: “Que todos sejam um... para que o mundo creia” (João 17,21).

Este ano as Igrejas da Escócia fizeram a escolha original de nos convidar a escutar o discurso final de Cristo antes da sua Ascensão: “É como foi escrito: o Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos no terceiro dia, e em seu nome pregar-se-á a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, a começar por Jerusalém. E vós sois disso testemunhas” (Lucas 24,46-48). É sobre essas palavras finais de Cristo que reflectiremos a cada dia.

Durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos de 2010, somos também convidados a percorrer todo o capítulo 24 do evangelho de Lucas. Tanto as mulheres assustadas diante do túmulo, como os dois desanimados discípulos no caminho de Emaús ou os onze discípulos dominados por dúvida e medo, todos os que juntos encontram o Cristo Ressuscitado são enviados em missão: “E vós sois disso testemunhas”. Essa missão da Igreja é dada por Cristo e não pode ser posse particular de ninguém. É a comunidade dos que foram reconciliados com Deus e em Deus e podem testemunhar a verdade do poder da salvação em Jesus Cristo.

Percebemos que Maria Madalena, Pedro ou os dois discípulos de Emaús não vão testemunhar do mesmo modo. Ainda assim, será a vitória de Jesus sobre a morte que todos colocarão no coração de seu testemunho. O encontro pessoal com o Ressuscitado mudou radicalmente suas vidas e, na originalidade de cada um, uma coisa se torna imperativa: “Vós sois disso testemunhas”. A sua história vai acentuar aspectos diferentes, às vezes podem ocorrer entre eles discordâncias sobre o que a fidelidade a Cristo exige, mas ainda assim todos irão trabalhar para anunciar a Boa Nova.

Durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos de 2010, vamos reflectir em cada dia sobre o capítulo 24 do evangelho de Lucas, olhando as perguntas que ele nos apresenta: perguntas de Jesus aos discípulos; perguntas que os discípulos fazem a Jesus.

Cada um desses questionamentos possibilitar-nos-á destacar um modo particular de testemunhar o Ressuscitado. Cada um deles nos convida a pensar sobre nossa situação de divisão eclesial e sobre como, concretamente, podemos remediar isso. Já somos testemunhas e precisamos nos tornar testemunhas melhores. Como?

- louvando Aquele que nos dá o dom da vida e a ressurreição (dia 1)

- sabendo partilhar com outros a história de nossa fé (dia 2)

- reconhecendo que Deus age em nossas vidas (dia 3)

- dando graças pela fé que temos recebido (dia 4)

- confessando a vitória de Cristo sobre todo sofrimento (dia 5)

- buscando sempre ser mais fiéis à Palavra de Deus (dia 6)

- crescendo na fé, na esperança e na caridade (dia 7)

- oferecendo hospitalidade e sabendo recebê-la quando nos é oferecida (dia 8)

Não seria bem mais fiel o nosso testemunho do evangelho em cada um desses aspectos se testemunhássemos juntos?

Guião para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2010, 12-13.

Para viver a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, consulte aqui o guião completo.

 

22.12.2009

Natal: A Vinda

Vem, mas em panos,

não em armas!

Vem, mas na humildade,

não na grandeza!

Vem, mas num jumento,

não sobre os querubins!

Vem, mas no presépio,

não sobre as nuvens do céu!

Vem, mas para nós,

não contra nós!

Vem, mas para salvar,

não para julgar!

Vem, mas no coração de Maria,

não no trono de majestade!

Vem, mas para nos visitares em paz,

não para nos censurares com cólera!

Se tu vens assim,

em vez de Te fugirmos,

fugiremos para Ti

Pierre de Celle (1183)

 

29.11.2009

Advento: Despertar em Nós o Verdadeiro Sentido da Espera

Caros irmãos e irmãs,

Com esta celebração vespertina entramos no tempo litúrgico do Advento. Na leitura bíblica que acabámos de escutar, tirada de Primeira Carta aos Tessalonicenses, o apóstolo Paulo convida-nos a preparar a “vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (5, 23) conservando-nos irrepreensíveis, com a graça de Deus. Paulo usa a palavra “vinda”, em latim Adventus, donde provém o termo Advento.

Reflictamos brevemente sobre o significado desta palavra, que pode ser traduzida por “presença”, “chegada”, “vinda”. Na linguagem do mundo antigo era um termo técnico usado para indicar a chegada de um funcionário, a visita do rei ou do imperador a uma província. Mas também podia indicar a vinda da divindade, que deixa a sua ocultação para se manifestar com poder, ou que se celebra presente no culto. Os cristãos adoptaram a palavra “advento” para expressarem sua relação com Jesus Cristo: Jesus é o Rei que veio a esta pobre “província” chamada terra com o propósito de todos visitar; na festa do seu advento faz participar aqueles que acreditam n'Ele, quantos acreditam na sua presença na assembleia litúrgica. Com a palavra adventus procurava-se substancialmente dizer: Deus está aqui, não foi retirado do mundo, não nos deixou sós. Embora não o possamos ver e tocar como acontece com as coisas sensíveis, ele está aqui e vem visitar-nos de muitas maneiras.

O significado da palavra “advento” compreende, portanto, também o de visitatio, que quer dizer simplesmente “visita”; neste caso trata-se de uma visita de Deus: Ele entra na minha vida e quer-se-me dirigir. Todos nós experimentamos na existência quotidiana ter pouco tempo para o Senhor e pouco tempo também para nós. Acabamos absorvidos pelo “fazer”. Não é porventura verdade que muitas vezes é a actividade a possuir-nos, a sociedade com os seus muitos interesses a monopolizar a nossa atenção? Não é porventura verdade que se dedica muito tempo ao divertimento e a distracções de vários géneros? Às vezes as coisas “arrastam-nos”. O Advento, este tempo litúrgico forte que estamos a iniciar, convida-nos a parar em silêncio para compreendermos uma presença. É um convite a compreender que os acontecimentos de cada dia são os sinais que Deus nos dirige, sinais da atenção que tem para com cada um de nós. Quantas vezes Deus nos faz perceber algo do seu amor! Ter, por assim dizer, um “diário interior” desse amor seria uma tarefa bela e salutar para a nossa vida! O Advento convida-nos e estimula-nos a contemplar o Senhor. A certeza da sua presença não deveria ajudar-nos a ver o mundo com olhos diferentes? Não deveria ajudar-nos a considerar toda a nossa existência como uma “visita”, como um modo em que Ele pode vir até nós e tornar-se próximo em cada situação?

Outro elemento fundamental do Advento é a espera, espera que é ao mesmo tempo esperança. O Advento leva-nos a compreender o sentido do tempo e da história como “kairos”, como uma oportunidade favorável para a nossa salvação. Jesus ilustrou esta realidade misteriosa em muitas parábolas: na história dos servos convidados a aguardar o regresso do senhor; na parábola das virgens que esperam o esposo; ou ainda na da sementeira e da ceifa. O homem, na sua vida, está em constante espera: quando é criança quer crescer; como um adulto tende para a realização e o sucesso; avançando em idade, aspira ao merecido repouso. Mas chega o tempo em que ele descobre ter esperado demasiado de si: para além da profissão ou da posição social, não lhe resta nada mais para esperar. A esperança marca o caminho da humanidade, mas para os cristãos é animada por uma certeza: o Senhor está presente no decurso de nossa vida, acompanha-nos e um dia também enxugará as nossas lágrimas. Um dia, não distante, tudo encontrará o seu cumprimento no Reino de Deus, Reino de justiça e de paz.

Mas existem muitos modos diferentes de esperar. Se o tempo não é preenchido por um presente dotado de sentido, a espera pode tornar-se insuportável; se se espera alguma coisa, mas neste momento não há nada, se o presente fica vazio, cada momento que passa é excessivamente longo, e a espera transforma-se num peso muito grande, porque o futuro permanece incerto. Mas quando o tempo é dotado de sentido e em cada momento percebemos algo específico e válido, então a alegria da espera torna o presente mais precioso. Queridos irmãos e irmãs, vivamos intensamente o presente, em que já nos chegam os dons do Senhor, vivamo-lo projectados para o futuro, um futuro cheio de esperança. O Advento cristão torna-se assim oportunidade para despertar em nós o verdadeiro sentido da espera, regressando ao coração da nossa fé, que é o mistério de Cristo, o Messias esperado durante longos séculos e nascido na pobreza de Belém. Vindo até nós, trouxe-nos e continua a oferecer-nos o dom do seu amor e sua salvação. Presente connosco, fala-nos de muitos modos: na Sagrada Escritura, no ano litúrgico, nos santos, nos acontecimentos da vida quotidiana, em toda a criação, que muda de aparência conforme por trás dela está Ele, ou é obscurecida pelo nevoeiro de uma origem e de um futuro incertos. Por sua vez, podemos dirigir-lhe a palavra, apresentar-lhe os sofrimentos que nos afligem, a impaciência, as questões que brotam do coração. Temos a certeza de que sempre nos escuta! E se Jesus está presente, não há mais nenhum tempo sem sentido e vazio. Se Ele está presente, podemos continuar a ter esperança, mesmo quando os outros já não podem garantir-nos algum apoio, mesmo quando o presente se torna difícil.

Caros amigos, o Advento é o tempo da presença e da espera do eterno. Precisamente por isso, é sobretudo tempo de alegria, uma alegria interiorizada, que nenhum sofrimento pode apagar. A alegria resultante de Deus se ter feito menino. Esta alegria, invisivelmente presente em nós, encoraja-nos a caminhar com confiança. Modelo e sustento dessa alegria íntima é a Virgem Maria, por meio da qual nos é dado o Menino Jesus. Fiel discípula do seu Filho, nos obtenha a graça de vivermos este tempo litúrgico vigilantes e activos na espera. Amém!

Bento XVI, Homilia nas Vésperas I do 1º domingo do Advento, 28.11.2009.

 

1.11.2009

Vocação Universal à Santidade

Jesus, mestre e modelo divino de toda a perfeição, pregou a santidade de vida, de que Ele é autor e consumador, a todos e a cada um dos seus discípulos, de qualquer condição: «sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito» (Mt 5, 48). A todos enviou o Espírito Santo, que os move interiormente a amarem a Deus com todo o coração, com toda a alma, com todo o espírito e com todas as forças (cfr. Mc. 12,30) e a amarem-se uns aos outros como Cristo os amou (cfr. Jo 13,34; 15,12). Os seguidores de Cristo, chamados por Deus e justificados no Senhor Jesus, não por merecimento próprio mas pela vontade e graça de Deus, são feitos, pelo Baptismo da fé, verdadeiramente filhos e participantes da natureza divina e, por conseguinte, realmente santos. É necessário, portanto, que, com o auxílio divino, conservem e aperfeiçoem, vivendo-a, esta santidade que receberam. O Apóstolo admoesta-os a que vivam «como convém a santos» (Ef 5, 3), «como eleitos e amados de Deus», se revistam de «sentimentos de misericórdia, benignidade, humildade, mansidão e paciência» (Col 3, 12) e alcancem os frutos do Espírito para a santificação (cfr. Gal 5, 22; Rom 6, 22). E porque todos cometemos faltas em muitas ocasiões (Tg 3, 2), precisamos constantemente. da misericórdia de Deus e todos os dias devemos orar: «perdoai-nos as nossas ofensas» (Mt 6, 12). É, pois, claro a todos, que os cristãos de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade. Na própria sociedade terrena, esta santidade promove um modo de vida mais humano. Para alcançar esta perfeição, empreguem os fiéis as forças recebidas segundo a medida em que as dá Cristo, a fim de que, seguindo as Suas pisadas e conformados à Sua imagem, obedecendo em tudo à vontade de Deus, se consagrem com toda a alma à glória do Senhor e ao serviço do próximo. Assim crescerá em frutos abundantes a santidade do Povo de Deus, como patentemente se manifesta na história da Igreja, com a vida de tantos santos.

II Concílio do Vaticano, Const. Dogm. Lumen Gentium, n. 40.

 

3.9.2009

Oração de Recomeço

Obrigado, Senhor,

pelas semanas de verão,

pelas descobertas e encontros,

pela beleza contemplada,

pelo silêncio e a amizade,

pelo amor renovado e o descanso!

Obrigado por este tesouro:

guardo-o no meu corpo

e no meu coração.

Agora,

é tempo de recomeçar a vida normal.

Mas não voltarei

às minhas práticas do passado.

Não retomarei hábitos antigos.

Vou retomar a luta,

vou mergulhar no amor,

vou ser manso,

vou ser misericordioso e sorrir,

vou entrar na luz,

vou recomeçar com coragem,

Vou, uma vez mais, retomar o Evangelho!

É o meu recomeço:

vem comigo, Senhor!

Charles Singer

 

Eis o Recomeço

Senhor, eis o recomeço!

Vem de novo, toca-me com a tua Palavra

Faz com que eu a ouça no mais profundo de mim mesmo,

para trazer à minha vida actual

o Evangelho do teu amor.

Dá-me a coragem do combate interior

da interioridade, da oração.

Dá-me a força de mergulhar no silêncio,

para me encontrar a mim mesmo.

E te encontrar.

Senhor, dá-me o teu Espírito,

para que eu seja dócil ao plano de Deus.

Michel Dubost

 

6.7.2009

Minha Santa Senhora

Minha santa Senhora, Mãe de Deus,

cheia de graça,

vós sois a glória comum da nossa natureza,

o canal de todos os bens,

a rainha de todas as coisas depois da Trindade,

a mediadora do mundo depois do Mediador.

vós sois o ponto misterioso que une a Terra ao Céu,

a chave que nos abre as portas do paraíso.

Vede a minha fé, vede os meus piedosos desejos

e lembrai-vos da vossa misericórdia,

do vosso poder.

Mãe do único misericordioso e bom,

acolhei a minha alma na miséria

e, pela vossa mediação,

tornai-a digna de estar um dia

à direita do vosso único Filho.

Em vós, nossa padroeira e advogada,

o género humano coloca toda a sua glória;

espera a vossa protecção;

só em vós encontra o seu refúgio,

por vós espera ser defendido!

Eis que venho até vós com alma fervorosa,

pois não tenho coragem de me aproximar do vosso Filho

e imploro a vossa ajuda para alcançar a salvação…

Mãe compassiva do Deus da misericórdia,

tende piedade do vosso servo.

Santo Efrém, o Sírio (306-373)

Ver mais Palavras e Momentos…; Ano Paulino