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Palavras e momentos… |
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18.5.2009 Sequência de Pentecostes Vinde, ó santo Espírito, vinde, Amor ardente, acendei na terra vossa luz fulgente. Vinde, Pai dos pobres: na dor e aflições, vinde encher de gozo nossos corações. Benfeitor supremo em todo o momento, habitando em nós sois o nosso alento. Descanso na luta e na paz encanto, no calor sois brisa, conforto no pranto. Virtude na vida, Luz de santidade, que no Céu ardeis, abrasai as almas dos vossos fiéis. Sem a vossa força e favor clemente nada há no homem que seja inocente. Lavai nossas manchas, a aridez regai sarai os enfermos e a todos salvai Abrandai durezas para os caminhantes animai os tristes guiai os errantes. Vossos sete dons concedei à alma do que em Vós confia: amparo na morte, no Céu alegria.
12.4.2009 Sequência Pascal À Vítima pascal ofereçam os cristãos sacrifícios de louvor. O Cordeiro resgatou as ovelhas: Cristo, o Inocente, reconciliou com o Pai os pecadores. A morte e a vida travaram um admirável combate: Depois de morto, vive e reina o Autor da vida. Diz-nos, Maria: Que viste no caminho? Vi o sepulcro de Cristo vivo e a glória do Ressuscitado. Vi as testemunhas dos Anjos, vi o sudário e a mortalha. Ressuscitou Cristo, minha esperança: precederá os seus discípulos na Galileia. Sabemos e acreditamos: Cristo ressuscitou dos mortos: Ó Rei vitorioso, tende piedade de nós.
23.3.2009 Purifica-nos com a Purificação da Tua Verdade e Dirige os Nossos Passos Nós te rogamos, Senhor, que sejas o nosso auxílio e protecção. Salva aqueles que entre nós estão em tribulação, compadece-te dos humildes, levanta os prostrados, revela-te aos necessitados, cura os enfermos, encaminha os desgarrados do teu povo, sécia os famintos, liberta os prisioneiros, encoraja os fracos, consola os pusilânimes. Que todos os povos conheçam que tu és o único Deus e Jesus Cristo, teu Filho, e nós o teu povo e ovelhas do teu rebanho. Tu, que tornaste patente a estrutura do cosmos, que flui perenemente mercê dos princípios que nele operam. Tu, Senhor, que criaste o mundo habitado, tu fiel, por todas as gerações, justo nos juízos, admirável em força e magnificência, sábio na criação, inteligente na execução, bom nas coisas visíveis, e fiel nos que em ti confiaram. Misericordioso e compassivo, perdoa-nos os nossos pecados, injustiças, faltas e negligências. Não tenhas em conta o pecado dos teus servos e servas, mas purifica-nos com a purificação da tua verdade, e dirige os nossos passos, para que andemos em santidade de coração, e façamos obras boas e agradáveis aos teus olhos. Clemente de Roma, Carta aos Coríntios, 49,4—50,2.
25.2.2009 Quaresma 2009: Conversão a Deus, Servindo o Próximo Caríssimos diocesanos do Porto, com todas as pessoas de boa vontade No actual contexto social e económico, a conversão a Deus, que é a substância da Quaresma, tem de sublinhar a humanidade de todos e a sua necessária realização em cada um. Quer isto dizer que a Quaresma de 2009 em Portugal exige a correcta compreensão do significado do trabalho e o maior esforço para que ele não falte a ninguém. Tanto quanto possível, isto é, sem desistir nunca. O trabalho, de direito e de facto, não é exterior ao ser humano: é-lhe absolutamente indispensável e intrínseco, como realização pessoal. Reconhecemos que é pelo trabalho que as pessoas respondem às necessidades próprias e dos seus. É por isso imprescindível que a sociedade tudo encaminhe para esse bem essencial. E que o façamos na convicção de que só assim cada um descobre as suas potencialidades e se realiza positivamente como criador de bens, com proveito geral. Somemos então algumas responsabilidades. De todos nós, cidadãos; e, em especial, de cada um de nós, os cristãos, que acreditamos no trabalho como disposição divina para o papel de todos no desenvolvimento da própria criação. Quando lemos no Génesis (2, 15), que “o Senhor Deus levou o homem e colocou-o no jardim do Éden, para o cultivar e, também, para o guardar”, descobrimos a nossa responsabilidade, para que a criação frutifique e se garanta. É missão de todos, para que o propósito divino se cumpra e nos realizemos nele. Consequentemente, entre cristãos e pessoas de boa vontade, não deverá passar esta Quaresma sem fazermos o possível para criar postos de trabalho ou ajudar a mantê-los quando periguem. Nem se dispensarão os trabalhadores e as suas organizações de contribuir para ultrapassarmos as dificuldades presentes. Responsabilidades, igualmente, de todos os empresários e dadores de trabalho. Tantos existem que tudo fazem para que as suas empresas não encerrem, ou dispensem o menor número possível. Resistem à tentação de fechar ou despedir, com o pretexto da crise. A empresários assim, devemos uma palavra de reconhecimento e estímulo. Como apelamos à consciência de quem não proceda deste modo, para que não lese a sociedade nem ofenda a Deus, condenando ao desemprego quem podia continuar a trabalhar. Também neste ponto se abra agora uma autêntica “Quaresma” empresarial, para defender e promover o trabalho e o emprego. Biblicamente sabemos que cumprir a vontade de Deus, aqui e agora, passa exactamente por aí. A vontade de um Deus “trabalhador”, assim definido pelo próprio Cristo: “O meu Pai continua a realizar obras até agora, e eu também continuo!” (Jo 5, 17). Responsabilidade muito particular dos governantes, como primeiros zeladores do bem comum. Não lhes pedindo o que não possam, não se dispensarão do que nos devem. Valorizando e promovendo a criatividade e o esforço de quantos trabalham e criam trabalho, activarão a subsidiariedade geral da sociedade, com especial aproveitamento das capacidades dos mais novos e sem esquecer a formação contínua dos mais velhos. Neste sentido ainda, as comunidades cristãs saberão abrir espaços de proximidade e partilha, em que, além da resposta imediata e possível às solicitações de pobrezas antigas e novas, se originem porventura respostas práticas e criativas no sentido do trabalho e do emprego. E os cristãos viverão a Quaresma de 2009 em disponibilidade total para uma cidadania inteira e consequente. A actual crise tem evidentes conotações morais. Muita riqueza a todo o custo ocasionou muita pobreza insustentável. Os tópicos quaresmais por excelência – oração, jejum e esmola – significam agora mais atenção à vontade de Deus, que é o bem de todos, num mundo realmente solidário, quer dizer, consistente, frugal e fraterno. Com o exemplo e o Espírito de Cristo, teremos, mais profundamente, Páscoa. Com o resultado da renúncia quaresmal de 2008, foi criado o Fundo Social Diocesano, passando os 160 000 euros. O que permitiu ajudar a Obra Diocesana de Promoção Social (mais apoio a famílias carenciadas), a Caritas Diocesana (acções de apoio a crianças em idade escolar) e Vida Norte (apoio à maternidade e à família). Confio na generosidade de todos para que a renúncia desta Quaresma possa reforçar o Fundo Social Diocesano para novas acções de solidariedade, na caridade cristã. A todos desejo uma Santa Quaresma, na conversão a Deus, servindo o próximo. Porto, Quarta-Feira de Cinzas, 25 de Fevereiro de 2009 + Manuel Clemente, Bispo do Porto
A Grande Tentação Pai, não nos deixes sucumbir às tentações comuns: as do teu povo outrora no deserto; as de Jesus, depois dos seus quarenta dias de jejum; as que nós conhecemos à nossa volta, quando caímos na armadilha do dinheiro, do prestígio e do poder. Mas guarda-nos sobretudo da grande tentação da nossa época: a de quase já não colocar a questão de Deus, esse grande silêncio em torno de Cristo, do seu Evangelho e do seu mistério pascal. Afasta de nós também a tentação da hora tenebrosa, em que apelidamos de bem o que está mal, e de mal o que está bem: esta hora da sonolência, em que mesmo os vigilantes dormem. Guarda-nos, ó Pai, da tentação suprema, a do homem que se tornou tão grande que já não há lugar para ti neste mundo. Pai, livra-nos do orgulho. Amém. Godfried Danneels, La Grande Tentation, in Prier n. 309 (2009) 19.
17.02.2009 Oração do Curso de Pastoral da Saúde V Senhor Jesus, pastor do rebanho, faz ressoar em nossos ouvidos o teu forte convite: “Vem e segue-me”! Derrama sobre nós o teu Espírito. Que ele nos dê a sabedoria para ver o caminho e generosidade para seguir a tua voz. Senhor Jesus, bom samaritano, próximo de todos os que sofrem no corpo ou no espírito. Senhor Jesus, desperta os nossos corações para a missão. Ensina a nossa vida a ser serviço. Fortalece os que querem dedicar-se ao anúncio do teu amor e do teu evangelho da vida e da esperança. Senhor Jesus, tu deste a tua vida para que todos tenham vida e a tenham em abundância. Torna-nos anunciadores da boa nova da salvação, que é também evangelho da saúde. Maria, Mãe da Igreja, tua mãe, modelo dos servidores do evangelho, nos ensine a compaixão, nos torne capazes do verdadeiro amor, nos ensine a ser fontes de água viva e de consolação no meio do mundo sequioso dos que sofrem. To pedimos a Ti, que com o Pai e na unidade do Espírito Santo vives eternamente e eternamente chamas os homens a viver. Ámen.
18.1.2009 Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos - 18 a 25 de Janeiro de 2009 Serão um só, na tua mão Veio-me uma palavra do Senhor: “Tu, filho de homem, toma um pedaço de madeira e escreve nele: Judá e os filhos de Israel que lhe estão associados. Depois toma outro pedaço de madeira e escreve nele: José – esta será a madeira de Efraim – e toda a casa de Israel que lhe está associada. Aproxima estes pedaços um contra o outro para formarem um só; serão um só, na tua mão. Quando a gente do teu povo te disser: ‘Não queres explicar-nos o que fazes?’ dir-lhe-ás: Assim fala o Senhor Deus: Vou tomar o pedaço de madeira de José – que está na mão de Efraim – e das tribos de Israel que lhe estão associadas; eu os encostarei neles, no pedaço de madeira de Judá: farei deles um só pedaço e eles estarão na minha mão. E os pedaços de madeira sobre os quais tiveres escrito estarão na tua mão, à vista deles. Diz-lhes: Assim fala o Senhor Deus: Vou tirar os filhos de Israel do meio das nações para onde foram, vou reuni-los de todas as partes e levá-los-ei para o seu solo. Farei deles uma nação única, na Terra, nas montanhas de Israel: um rei único será o rei de todos eles; não mais formarão duas nações e não mais estarão divididos em dois reinos. Não se macularão mais com seus ídolos e os seus horrores, nem por todas as suas transgressões; eu livrá-los-ei de todos os lugares onde habitam, os lugares onde pecaram. Eu purificá-los-ei, serão para mim um povo e eu serei Deus para eles. O meu servo David reinará sobre eles, pastor único para todos eles; caminharão segundo meus costumes, guardarão minhas leis e observá-las-ão. Habitarão a terra que dei a meu servo Jacob, a terra onde vossos pais a habitaram; ali habitarão eles, seus filhos e os filhos de seus filhos, para sempre; meu servo David será seu príncipe para sempre. Firmarei com eles uma aliança de paz, será uma aliança perene com eles. Eu o estabelecerei, multiplicá-los-ei. Estabelecerei meu santuário no meio deles para sempre. A minha morada estará junto deles; serei para eles Deus, e eles serão para mim um povo. Então as nações conhecerão que eu sou o Senhor que consagro Israel, quando estabelecer o meu santuário no meio deles, para sempre” (Ez 37, 15-28). Comentário Em Ezequiel, a visão dos dois pedaços de madeira, sobre os quais estão escritos os nomes dos reinos divididos, no antigo Israel, que tornariam a ser “um” na mão de Deus, é uma imagem eloquente da reconciliação eficaz que Deus cumpriu para o povo, suprimindo suas divisões – unidade que o povo não pode restaurar por si mesmo. Esta metáfora evoca adequadamente a divisão dos cristãos e prefigura a reconciliação que está no coração da proclamação cristã. Sobre os dois pedaços de madeira que formam sua cruz, o Senhor da história cura as feridas e as divisões da humanidade. No dom total de Si sobre a cruz, Jesus uniu o pecado do homem ao amor fiel e redentor de Deus. Ser cristãos significa ser baptizados nesta morte, pela qual o Senhor, na sua infinita misericórdia, grava os nomes da humanidade ferida no madeiro de sua cruz, unindo-nos a ele e restabelecendo, assim, a nossa relação com Deus e com o próximo. A unidade cristã é uma comunhão que se baseia na nossa adesão a Cristo e a Deus. Convertendo-nos sempre mais a Cristo, nós percebemo-nos reconciliados pela força do Espírito Santo. Rezar pela unidade cristã é reconhecer a nossa confiança em Deus; é abrimo-nos inteiramente ao Espírito. Unida aos demais esforços que empreendemos em prol da unidade dos cristãos – como o diálogo, o testemunho comum e a missão – a oração é um instrumento privilegiado pelo qual o Espírito Santo manifesta ao mundo, a este mundo que veio salvar, a nossa reconciliação em Cristo. Oração Deus de compaixão, tu nos amaste e perdoaste em Cristo. Tu reconciliaste toda a humanidade em teu amor redentor. Olha com bondade todos aqueles que trabalham e rezam pela unidade das Comunidades cristãs, ainda divididas. Concede-lhes serem irmãos e irmãs no teu amor. Possamos nós ser um, “um a tua mão”. Amém. Guião para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2009, 5-6.29-30. Para melhor viver a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, consulte aqui o guião completo na versão on-line. Celebração Ecuménica - 22 de Janeiro, 21.30 h., Igreja do Redentor (Igreja Lusitana), Rua Visconde de Bóbeda, 54, Porto.
20.12.2008 Brilhando deitado no seu berço... Eis que até nós vem um barco, repleto de bela carga. Nuvens de anjos acompanham-no, nele se ergue um grande mastro. O barco vem carregado, Deus Pai o enviou, e traz-nos um grande bem, Jesus nosso Salvador. O barco vem deslizante, o barquinho chega à terra, ele escancarou o céu e traz o filho. Maria concebeu da sua carne e do seu sangue o menino entre todos escolhido, homem e Deus verdadeiro. Está deitado no seu berço, o pequeno rei amável, qual espelho brilha o seu espírito: louvado, louvado sejas! Maria, mãe de Deus, louvada, louvada sejas! Jesus é nosso irmão, ah, amável menino! Pudesse eu cobrir de beijos a sua pequena boca. Estivesse eu bem doente e havia de ser curado. Maria, mãe de Deus, por toda a parte louvada! Jesus é nosso irmão, por ele sê glorificada! Johannes Tauler (±1300-1361)
24.11.2008 Em Advento! Preparar-se para o Natal O Advento — do latim adventus que significa “vinda” — assinala a espera da próxima vinda de Cristo pelos fiéis. No século IV, o Advento caracterizava-se pelo jejum, pela a penitência e pela a ascese. Começava a 11 de Novembro — por isso se chamava “Quaresma de São Martinho”, em honra do santo festejado nesse dia — e durava seis semanas. No fim do século VI, o papa Gregório Magno optou por acentuar a celebração do Natal do Verbo encarnado e compôs o leccionário das missas desse período. Com a recomendação de não maltratar a carne através das penitências e dos jejuns excessivos, visto que se trata de entrar na alegria e na esperança de quem acolhe o Salvador. O tempo de Advento assinala então o início do ano litúrgico e dura quatro semanas. Mais tarde, insiste-se igualmente na espera da segunda vinda de Cristo, no fim dos tempos, para significar que através do mistério da encarnação tendemos para o futuro. Esta pedagogia da espera e do desejo recorda-nos o essencial: permanecer vigilantes para acolhermos Cristo que veio, que vem e que virá… e o revelarmos ao mundo. Como fazer? 1) Como se preparar? Alguns dos sinais e ritos domésticos seguintes ajudam-nos a cultivar a nossa espera e a nossa sede do Senhor. Recordarmo-nos que preparamos algo de grande, interrogando-nos ao longo das semanas: “O que é que eu espero para o Natal? Espero Alguém? Jesus é para mim o Salvador?”. 2) A coroa de Advento Oriunda dos países germânicos, a coroa evoca pela sua forma o sol e anuncia o seu regresso. Ligada ao simbolismo cristão, fala-nos de Cristo que chega até nós. Cada ano, podemos colocá-la em evidência, sobre uma mesa de casa, com as suas grandes velas vermelhas. 3) 4 velas para 4 domingos A 30 de Novembro, primeiro domingo do Advento, acendemos a primeira vela. Precisamos de encontrar o momento propício: antes da refeição dominical — ao estarmos sós ou em família — ou ao serão. Este gesto pode ser seguido dum cântico ou duma oração. Segundo a tradição, esta vela simboliza o perdão concedido a Adão e Eva; a segunda, a fé de Abraão e dos patriarcas na Terra prometida; a terceira, a alegria de David pela aliança com Deus; a quarta, por fim, o ensino dos profetas que anunciam um reino de justiça e de paz. Não esqueçamos que cada domingo, enquanto as acendemos progressivamente, se forma um feixe de luz: o testemunho da nossa esperança. Proposta: em cada etapa, colocar de lado alguns euros que um pouco antes do Natal daremos aos que têm falta (necessitados, associações de solidariedade…). 4) O presépio Para respeitar o “tempo do desejo”, recomenda-se que não se faça o presépio demasiado cedo, começando-o somente no quarto domingo. Com efeito, o presépio não simboliza o nosso coração que acolhe pouco a pouco a Sagrada Família e o Deus Menino? […] 5) Com Maria O evangelho do quarto domingo é o da Anunciação. Todos os dias (de manhã, ao meio-dia e à tarde, pelas 18 h) podemos recitar uma Ave Maria ou a oração do Angelus, que anuncia a vinda do Salvador. O quarto domingo assinala, por fim, o momento de recolher o dinheiro acumulado cada domingo: recordar-nos-emos que o dom do Salvador não é uma dívida, mas que o devemos partilhar concretamente com os outros. […] En Avent! Se Préparer à Noël, in Prier n. 307 (2008) 10-11.
7.11.2008 Semana dos Seminários - 9 a 16 de Novembro Oração Deus Santo, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Vós criastes o mundo pela vossa primeira e última palavra e pela primeira e última o salvastes; Lançai no coração dos nossos jovens sementes de amor, capazes de crescer e de fazer deles agentes do vosso desígnio de salvação. Vós chamastes profetas para dizer palavras de verdade, justiça e caridade ao povo que, por amor, escolhestes e reunistes. Colocai as vossas palavras santas na boca dos nossos jovens para que não sejam espectadores passivos mas actores atentos ao mundo que os rodeia e, dando-se sem reservas, disponíveis para amar, encontrem um sentido para a sua vida e deixem a semente germinar. Vós enviastes a Sabedoria do santo céu, do vosso trono de glória, e com a vossa voz derrubastes os cedros e abalastes o deserto; Atendei às inquietações dos nossos jovens, aos seus gritos e sussurros, e despertai neles um amor pela Igreja, vosso templo e corpo do vosso Filho, para que, sem complexos nem angústias, tenham coragem e discernimento apara responder com um sim entusiasmado à ternura do vosso abraço. Senhor Jesus Cristo, Filho de Maria, a serva da Palavra, Vós semeastes a palavra com abundância para que frutificasse e pelo sangue que derramastes, sangue que não tinge mas branqueia, fostes digno de tomar o Livro escrito por dentro e por fora e de abrir as suas páginas seladas; Derramai o vosso Espírito sobre os nossos seminários e fazei com que, acolhendo as vossas palavras de vida eterna, sejam centelhas de esperança e sementes de futuro para a Igreja, no seguimento fiel e generoso da vossa vontade. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo. Ámen.
1.11.2008 O Retrato de Mónica Mónica é uma pessoa tão extraordinária que consegue simultaneamente: ser boa mãe de família, ser chiquíssima, ser dirigente da «Liga Internacional das Mulheres Inúteis», ajudar o marido nos negócios, fazer ginástica todas as manhãs, ser pontual, ter imensos amigos, dar muitos jantares, ir a muitos jantares, não fumar, não envelhecer, gostar de toda a gente, gostar dela, dizer bem de toda a gente, toda a gente dizer bem dela, coleccionar colheres do séc. XVII, jogar golfe, deitar-se tarde, levantar-se cedo, comer iogurte, fazer ioga, gostar de pintura abstracta, ser sócia de todas as sociedades musicais, estar sempre divertida, ser um belo exemplo de virtudes, ter muito sucesso e ser muito séria. Na vida, conheci muitas pessoas parecidas com Mónica. Mas são só a sua caricatura. Esquecem-se sempre ou do ioga ou da pintura abstracta. Por trás de tudo isto há um trabalho severo e sem tréguas e uma disciplina rigorosa e constante. Pode-se dizer que Mónica trabalha de sol a sol. De facto, para conquistar todo o sucesso e todos os gloriosos bens que possui, Mónica teve que renunciar a três coisas: à poesia, ao amor e à santidade. A poesia é oferecida a cada pessoa só uma vez e o efeito da negação é irreversível. O amor é oferecido raramente e aquele que o nega algumas vezes depois não o encontra mais. Mas a santidade é oferecida a cada pessoa de novo cada dia, e por isso aqueles que renunciam à santidade são obrigados a repetir a negação todos os dias. Isto obriga Mónica a observar uma disciplina severa. Como se diz no circo, «qualquer distracção pode causar a morte do artista». Mónica nunca tem uma distracção. Todos os seus vestidos são bem escolhidos e todos os seus amigos são úteis. Como um instrumento de precisão, ela mede o grau de utilidade de todas as situações e de todas as pessoas. E como um cavalo bem ensinado, ela salta sem tocar os obstáculos e limpa todos os percursos. Por isso tudo lhe corre bem, até os desgostos. Os jantares de Mónica também correm sempre muito bem. Cada lugar é um emprego de capital. A comida é óptima e na conversa toda a gente está sempre de acordo, porque Mónica nunca convida pessoas que possam ter opiniões inoportunas. Ela põe a sua inteligência ao serviço da estupidez. Ou, mais exactamente: a sua inteligência é feita da estupidez dos outros. Esta é a forma de inteligência que garante o domínio. Por isso o reino de Mónica é sólido e grande. Ela é íntima de mandarins e de banqueiros e é também íntima de manicuras, caixeiros e cabeleireiros. Quando ela chega a um cabeleireiro ou a uma loja, fala sempre com a voz num tom mais elevado para que todos compreendam que ela chegou. E precipitam-se manicuras e caixeiros. A chegada de Mónica é, em toda a parte, sempre um sucesso. Quando ela está na praia, o próprio Sol se enerva. O marido de Mónica é um pobre diabo que Mónica transformou num homem importantíssimo. Deste marido maçador Mónica tem tirado o máximo rendimento. Ela ajuda-o, aconselha-o, governa-o. Quando ele é nomeado administrador de mais alguma coisa, é Mónica que é nomeada. Eles não são o homem e a mulher. Não são o casamento. São, antes, dois sócios trabalhando para o triunfo da mesma firma. O contrato que os une é indissolúvel, pois o divórcio arruína as situações mundanas. O mundo dos negócios é bem-pensante. É por isso que Mónica, tendo renunciado à santidade, se dedica com grande dinamismo a obras de caridade. Ela faz casacos de tricot para as crianças que os seus amigos condenam à fome. Às vezes, quando os casacos estão prontos, as crianças já morreram de fome. Mas a vida continua. E o sucesso de Mónica também. Ela todos os anos parece mais nova. A miséria, a humilhação, a ruína não roçam sequer a fímbria dos seus vestidos. Entre ela e os humilhados e ofendidos não há nada de comum. E por isso Mónica está nas melhores relações com o Príncipe deste Mundo. Ela é sua partidária fiel, cantora das suas virtudes, admiradora de seus silêncios e de seus discursos. Admiradora da sua obra, que está ao serviço dela, admiradora do seu espírito, que ela serve. Pode-se dizer que em cada edifício construído neste tempo houve sempre uma pedra trazida por Mónica. Há vários meses que não vejo Mónica. Ultimamente contaram-me que em certa festa ela estivera muito tempo conversando com o Príncipe deste Mundo. Falavam os dois com grande intimidade. Nisto não há evidentemente, nenhum mal. Toda a gente sabe que Mónica é seríssima toda a gente sabe que o Príncipe deste Mundo é um homem austero e casto. Não é o desejo do amor que os une. O que os une é justamente uma vontade sem amor. E é natural que ele mostre publicamente a sua gratidão por Mónica. Todos sabemos que ela é o seu maior apoio; mais firme fundamento do seu poder. Sofia de Mello Breyner Anderson, Contos Exemplares, Porto: Figueirinhas, 221989, 129-133.
7.10.2008 Oração do Curso de Pastoral da Saúde IV Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e as dos anjos, se não tivesse a caridade, seria como um bronze que soa ou como um címbalo que tine. Ainda que eu tivesse o dom da profecia, o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência, ainda que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tivesse a caridade, eu nada seria. Ainda que eu distribuísse todos os meus bens aos famintos, ainda que eu entregasse o meu corpo às chamas, se não tivesse a caridade, isso nada me adiantaria. A caridade é paciente, a caridade é prestativa, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. Não faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, Mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, Tudo espera, tudo suporta. A caridade jamais passará. 1 Cor 12,31-13,8 Ver mais Palavras e Momentos… 2007/2008 |