Aconteceu no sábado, dia 21 de outubro de 2006, pelas 14.30 horas, a sessão solene de abertura do ano letivo 2006/2007 no Centro de Cultura Católica do Porto. Foi presidida por D. João Miranda Teixeira, em representação de D. Armindo Lopes Coelho, cujo estado de saúde não lhe permitiu fazer-se presente como nos demais anos, e contou com a presença de vários professores e alunos e de outras pessoas que por proximidade ao Centro ou ao tema da comunicação se quiseram associar.

A sessão iniciou-se com o Veni Creator Spiritus, executado pela Coro da Escola Diocesana de Ministérios Litúrgicos, dirigido pelo Prof. Paulo Silva. Seguiram-se algumas palavras de acolhimento a cargo do P. Adélio Abreu, diretor do Centro. Depois de saudar todos os presentes e estender a saudação ao bispo de Porto, coube-lhe enquadrar a sessão e o ano letivo no âmbito do lema Conhecer Jesus para ser capaz do verdadeiro amor, recolhido da carta encíclica Deus caritas est. As palavras iniciais serviram também para apresentar a situação do Centro, que atualmente conta com cerca de 30 professores e 163 alunos, distribuídos pelos diferentes cursos: Básico de Teologia; Complementar de Formação de Catequistas; Música Litúrgica (Preparatório, Geral e Salmistas); Acólitos; Leitores; Pastoral da Saúde. Agradecendo a confiança que algumas comunidades da diocese depositam no Centro para a formação dos seus membros mais empenhados e a colaboração dos secretariados diocesanos, sublinhou também os sinais positivos que se notaram este ano na procura de alguns cursos, nomeadamente o Curso Básico de Teologia e as várias valências do Curso de Música Litúrgica.

Seguiu-se uma comunicação do Prof. Jorge Teixeira da Cunha, diretor-adjunto da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, subordinada à encíclica Deus caritas est. Começou por uma introdução geral ao texto pontifício, referindo que a expressão joânica Deus é amor resume a inovação que o cristianismo trouxe ao mundo e sublinhando que falar de Deus como amor, tal como Cristo no-lo revelou, supera o risco de o dizer de maneira abstrata ou a tentação de se pronunciar sobre ele a última palavra. Neste sentido, pôde clarificar que «falar de Deus como amor é falar de Deus como sujeito e não como objeto» e afirmar que «não podemos falar de Deus como Ele, mas só podemos falar de Deus como Tu». Num segundo momento referiu-se ao cristianismo a partir da relação eros/ágape e explicitou o modo como Bento XVI integra na sua encíclica estas duas dimensões do amor: o amor descendente de Deus (ágape) e o amor ascendente do ser humano (eros). A este propósito, mencionou que «a distinção entre eros e ágape é destinada a reunir as diversas dimensões do amor» e que o cristianismo «não renega a visão erótica do mundo, mas introduz no inebriamento a solicitude a que o eros liga». Num terceiro momento, concretizou a dinâmica eros/ágape no âmbito da vida espiritual, da vivência matrimonial e da vida da Igreja e da sociedade.

 Logo após D. João entregou os diplomas aos alunos que terminaram os seus cursos no último ano letivo. Foram eles Manuel Gomes (Rio Tinto – Gondomar) do Curso Básico de Teologia; João Pedro Costa Frutuoso (Campanhã – Porto) e José Alberto Cunha Barros (São Cosme - Gondomar) do Curso de Acólitos; Bruno Miguel Ferreira da Cunha (Custóias – Matosinhos) e Marília Cidália da Costa Sousa (Madalena – Vila Nova de Gaia) do Curso de Salmistas. Concluíram ainda a parte curricular do Curso Complementar de Formação de Catequistas Cândida Maria Garcia Tavares (Irmãs Reparadoras do Sagrado Coração de Jesus) e António José dos Santos Teixeira (Perafita – Matosinhos), confiados ao Secretariado Diocesano da Educação Cristã para a realização do estágio.

D. João fez depois uso da palavra para saudar os presentes e informar sobre o estado de saúde do bispo do Porto. Situando-se no âmbito da abertura do ano letivo do Centro, referiu-se à necessária fantasia para criar e avançar os projetos apresentados e acentuou a urgência de voltar à escola em todas as idades e de «encontrar formas de motivar mais gente para descobrir as razões de crer». Citando um texto de Bento XVI, escrito ainda antes da sua eleição pontifícia, sobre a necessidade de nos despedirmos de uma Igreja de massas para estarmos sob o signo do grão de mostarda, insistiu que «precisamos de nos preparar para apontar ao mundo o Cristo em que acreditamos». Frisou ainda que a Deus caritas est, com o seu carácter programático, «apela para o essencial do ser cristão», ajudando a superar a tendência dos cristãos se ficarem pela periferia.

A sessão solene foi encerrada com mais uma intervenção do coro.

Sessão Solene de Início do Ano Letivo 2006/2007

 

 

 

Encontrar formas de motivar mais gente para descobrir as razões de crer

 

 

— D. João Miranda Teixeira na abertura do ano ltivo 2006/2007