Sessão Solene de Início do Ano Letivo 2008/2009

 

 

 

Apresentar ao mundo o Cristianismo que Paulo apresentou

 

— D. Manuel Clemente na abertura do ano letivo 2008/2009

Decorreu no sábado, dia 18 de outubro de 2008, pelas 14.30 horas, a sessão solene de abertura do ano letivo 2008/2009 no Centro de Cultura Católica do Porto. Foi presidida por D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, e contou com a presença de vários professores e alunos e de quantos quiseram participar.

A sessão iniciou-se com o Veni Creator Spiritus, executado pela Coro da Escola Diocesana de Ministérios Litúrgicos, dirigido pelo Prof. António Mário Costa. Seguiram-se algumas palavras de acolhimento a cargo do P. Adélio Abreu, diretor do Centro. Depois de saudar os presentes, coube-lhe enquadrar a sessão e o ano letivo no âmbito do lema Revestidos da Verdade e da Justiça para Anunciar o Mistério do Evangelho, recolhido da Carta aos Efésios, no contexto do Ano Paulino. As palavras iniciais serviram também para apresentar a situação do Centro, que no ano que agora começa conta com cerca de 30 professores e 335 alunos, distribuídos pelos diferentes cursos: Básico de Teologia, com 66 alunos; Complementar de Formação de Catequistas, com 1; Música Litúrgica (Preparatório, Geral e Salmistas), com 42; Acólitos, com 21; Leitores, com 9; Pastoral da Saúde, com 196 (146 no estágio do Curso para Ministros Extraordinários da Comunhão e 50 na fase letiva do Curso de Formadores no âmbito da educação da sexualidade). Agradeceu ainda a colaboração dos secretariados diocesanos, a dedicação dos professores e a confiança que várias comunidades da diocese depositam no Centro e aludiu à sua imagem renovada pela apresentação dum novo logótipo que se espera ajude a consolidar a marca CCC no âmbito da formação diocesana

Seguiu-se uma comunicação subordinada ao tema Cristo em São Paulo, pronunciada pelo Doutor Herculano Alves, Franciscano Capuchinho e professor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa no Porto. Estruturou a sua intervenção em quatro linhas que definem o Cristo paulino: Cristo reconciliador da humanidade com Deus; Cristo Salvador; Cristo homem novo pela fé e pelo batismo; Cristo centro da vida cristã. Depois de se referir à reconciliação operada por Cristo por meio do Evangelho, deteve-se no Cristo Salvador de Paulo, referindo-se ao conceito bíblico de mistério, entendido como «sabedoria que não depende dos dons humanos», como «plano da salvação», que o apóstolo desenvolve em três fases (Adão e o Pecado; Moisés e a Lei; Abraão e a Fé), e elencando os títulos cristológicos presentes no epistolário paulino. A propósito de Cristo homem novo pela fé e pelo batismo, esclareceu que o conceito de graça «em Paulo exprime a origem da nova criatura», evocou «a caridade, coroa da vida em Cristo» e explicitou a vida moral como «relação íntima do Cristão com Cristo […] numa tríplice dimensão: crucificar-se com Cristo; revestir-se de Cristo e tornar-se co-herdeiro de Cristo». Reportando-se a Cristo centro da vida cristã, explanou essa centralidade em termos centrípetos e centrífugos, na referência a três coordenadas fundamentais: Cristo centro da vida íntima do cristão, do cosmos e da comunidade.

Logo após D. Manuel entregou os diplomas aos alunos que terminaram os seus cursos no último ano letivo. Foram eles Carolina Alice Silva Sousa Pinto Soares, Manuel Pinto Soares, Lucinda Ferreira Jorge Neto (Ovar) e Elisabete Santos Pereira Pinto Silva (São Félix da Marinha – Vila Nova de Gaia), do Curso Básico de Teologia; Tiago Ferreira Pereira (São João da Madeira), do Curso de Acólitos; Cristina Maria Bastos Oliveira Campos (Canidelo – Vila Nova de Gaia) e Henrique Manuel de Sousa Ferreira (Fânzeres - Gondomar), do Curso de Leitores.

D. Manuel Clemente fez depois uso da palavra para exprimir o seu «gosto e contentamento com a atividade do Centro», afirmar a sua «marca e boa consequência», aferidas no contacto com as comunidades e organismos da diocese, e reconhecer que, num tempo que já não é de cristandade, o «Centro se valoriza e valoriza a diocese no contexto de dificuldade da definição da vida cristã». A seu ver, esta já não se define exclusivamente pela herança familiar ou por decreto, mas resulta na vida nova segundo o Espírito de Jesus e exige também o compromisso de levar às famílias e paróquias o contributo da novidade cristã. A este propósito, D. Manuel referiu que nos sujeitamos à «contradita dum não cristianismo, porque não apresentamos o próprio cristianismo». Na última parte da sua intervenção, lembrou São Paulo, que «não é um santo popular nem nunca foi», como mostra a menor repercussão das suas festas no decurso do ano litúrgico. A densidade e a exigência dos seus escritos não permitem fazer dele um santo popular, tarefa que foi possível noutros casos – evocou a figura de Santo António – tão só porque os escritos não foram conhecidos. O bispo do Porto concluiu a sua intervenção deixando o apelo a que «convertidos com Paulo, apresentemos ao mundo o cristianismo que ele apresentou».

A sessão solene foi encerrada com um momento musical a cargo dos alunos do Curso de Música Litúrgica, que executaram ao piano e ao órgão obras de J. S. Bach e em coro obras de F. Liszt e A. Bruckner.