Sessão Solene de Início do Ano Letivo 2009/2010

 

 

 

A iniciação cristã como garantia de um laicado adulto

 

— P. Arlindo Magalhães Ribeiro da Cunha na abertura do ano letivo 2009/2010

Decorreu em ambiente festivo no sábado, dia 17 de outubro de 2009, pelas 14.30 horas, a sessão solene de abertura do ano letivo 2009/2010 no Centro de Cultura Católica do Porto. Foi presidida por D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, e contou com a presença de vários professores e alunos e de outros interessados.

A sessão iniciou-se com a invocação do Espírito através da interpretação do Veni Creator Spiritus pelo Coro da Escola Diocesana de Ministérios Litúrgicos, dirigido pelo Prof. António Mário Costa. Seguiram-se algumas palavras de acolhimento a cargo do P. Adélio Abreu, diretor do Centro. Depois de saudar os presentes, coube-lhe enquadrar a sessão e o ano letivo no âmbito do lema Retomar a Verdade Cristã Original para a Missão, recolhido da homilia do bispo do Porto na última Missa Crismal, colocando o projeto formativo e as atividades do Centro em sintonia com a Missão diocesana 2010. As palavras iniciais serviram também para apresentar a situação do Centro, que no ano que agora começa conta com cerca de 30 professores e 476 alunos, distribuídos pelos diferentes cursos: Básico de Teologia, com 84 alunos; Complementar de Formação de Catequistas, com 3; Música Litúrgica (Preparatório, Geral e Salmistas), com 59; Acólitos, com 22; Leitores, com 11; Pastoral da Saúde, com 297 alunos, distribuídos pelas quatro zonas pastorais da diocese. Agradeceu ainda a colaboração dos secretariados diocesanos, a dedicação dos professores e a confiança que várias comunidades da diocese depositam no Centro, sublinhando o papel dos alunos antigos e atuais na divulgação das atividades do Centro.

Seguiu-se uma comunicação subordinada ao tema A Urgência da Evangelização, pronunciada pelo P. Arlindo Magalhães Ribeiro da Cunha, capelão da comunidade da Serra do Pilar e professor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa no Porto. Partiu das mudanças culturais percebidas em Portugal nas últimas décadas no âmbito da sociedade, da família e da prática religiosa, para constatar que o cristianismo sociológico desapareceu e afirmar que os cristãos têm agora de fazer-se uma a um, como resposta a um chamamento. Invocando uma prioridade do episcopado português de 1983, afirmou que «urge desencadear uma Acão sistemática de grande envergadura no sentido de proporcionar a todos uma verdadeira iniciação cristã, inspirada na pedagogia catecumenal da fé». Reconheceu, contudo, que os caminhos das dioceses portuguesas andaram por outro lado. Referindo-se à diocese do Porto, historiou a fase de esperança vivida no período subsequente ao II concílio do Vaticano sob o impulso de D. António Ferreira Gomes, para quem urgia uma mudança pastoral no diálogo com o homem contemporâneo. No termo deste percurso, evocou a Semana Pastoral sobre a paróquia, ocorrida no Porto em Fevereiro de 1876, onde se evidenciou a tensão dialética entre comunidade e paróquia. Constatou sucessivamente uma mudança terminológica: a palavra comunidade foi substituída pela palavra evangelização, sem que este segundo mote tenha mobilizado a Igreja católica. Defendendo a iniciação cristã como única garantia de um laicado adulto e assumindo como tarefa primordial a evangelização, assegurou que o modo por excelência para lá chegar é o domingo, mesmo sabendo que vem perdendo importância religiosa e social. Considerando, porém, que é ainda a Igreja católica que ao domingo reúne mais gente, sustentou pedagogicamente a recuperação do domingo com celebrações cuidadas, que possam abrir a porta à subsequente iniciação da fé, dando azo a uma pastoral de evangelização. No seguimento da sua intervenção, o P. Arlindo lançou alguns desafios para essa pastoral: lançar os fundamentos dum secretariado da iniciação de adultos; formar catequistas de adultos, na consciência de que a estes se exige fé sólida, formação teológica e capacidade pedagógica; lançar unidades catequéticas de adultos nas zonas pastorais, nas vigararias e em paróquias de grandes dimensões. Apresentando a comunidade cristã como o resultado normal da evangelização ou como a origem, lugar e meta da catequese, reconheceu que se impõe uma mudança de paradigma que ultrapasse o antigo princípio de a uma paróquia fazer corresponder um pároco e que, segundo o estilo de Cristo Pastor, se concretize no deixar as 99 ovelhas do redil para ir ao encontro da ovelha que se perdeu, na consciência, porém, de que os termos se terão invertido, correspondendo a 99 ovelhas perdidas apenas uma no redil. Terminou com um apelo no sentido de que as escolas de teologia deem o seu contributo à formação cristã de adultos e de que o catecumenado encontre o seu espaço na Igreja catedral.

Logo após D. Manuel entregou os diplomas aos alunos que terminaram os seus cursos no último ano letivo. Foram eles Cândido Valente (Mafamude, V.N. Gaia), Eduardo Sousa (Sociedade Missionária da Boa Nova), Elsa Moreira (Senhora da Conceição, Porto), Florentino Dias (Canelas, V.N. Gaia), José Carlos Paiva (Margaride, Felgueiras) e Maria de Fátima Lima (Instituto de N. Sr.ª da Anunciação), do Curso Básico de Teologia; Ana Raquel Cruz (Madalena, V.N. Gaia), João Paulo Ribeiro (Campanhã, Porto), Joaquim Lopes (Vale, Santa Maria da Feira) e Manuel Freitas (Jovim, Gondomar), do Curso de Acólitos; Cecília Sousa (Folgosa, Maia) e Humberto Nepomuceno (Pedroso, V.N. Gaia), do Curso de Leitores; Maria da Graça Barros (Pedroso, V.N. Gaia), do Curso de Salmistas; António Pedro Cunha (Vilela, Paredes), Inês Ferreira (Corim, Maia) e Jorge Almeida (Ermesinde, Valongo), do Curso Geral de Música Litúrgica.

D. Manuel Clemente fez depois uso da palavra para se congratular com o trabalho realizado pelo Centro de Cultura Católica em ordem à evangelização e exprimir o gosto com que ouviu as palavras judiciosas do conferencista. Entendendo a comunidade cristã como fruto e como base da evangelização, apresentou dois importantes desafios do momento atual. O primeiro provém de dentro e diz respeito à religião. Enunciando a terra, o sangue e a morte como artigos do credo da religiosidade popular, sustentou a importância da formação teológica e da catequese de adultos para superar essas resistências que a religiosidade arcaica coloca à evangelização e para modelar a vida cristã pelo estilo de Jesus que alargou a sua terra a todas as terras e a sua família aos que escutam a sua palavra e a praticam. O segundo desafio provém de fora e diz respeito ao mundo da cultura e das representações. Exemplificando o desconhecimento que alguns representantes da cultura revelam do cristianismo, assim como a atitude de abertura evidenciada por outros, referiu-se à necessária atenção da Igreja aos desafios que procedem dos círculos da cultura, estabelecendo com eles um construtivo diálogo.

A sessão solene foi encerrada com um momento musical a cargo dos alunos do Curso de Música Litúrgica, que interpretaram ao piano e ao órgão obras de Heller, Bach e Demessieux e concluíram com a execução coral da Ave Regina Caelorum de Rheinberger.