Sessão Solene de Início do Ano Letivo 2010/2011

 

 

 

 

D. Manuel Clemente falou sobre a Igreja e a Primeira República

Decorreu em ambiente festivo no sábado 16 de outubro de 2010, pelas 15 horas, a sessão solene de abertura do ano letivo 2010/2011 no Centro de Cultura Católica do Porto. Foi presidida por D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, e contou com a presença de vários professores e alunos.

A sessão iniciou-se com a invocação do Espírito através da interpretação do Veni Creator Spiritus pelo Coro da Escola Diocesana de Ministérios Litúrgicos, dirigido por António Mário Costa. Seguiram-se algumas palavras de acolhimento a cargo do P. Adélio Abreu, diretor do Centro. Depois de saudar os presentes, enquadrou a sessão e o ano letivo no âmbito do lema Formação para a Missão, colocando o projeto formativo e as atividades do Centro em sintonia com a Missão diocesana 2010. As palavras iniciais serviram também para apresentar a situação do Centro, que no ano que começa conta com cerca de 30 professores e 277 alunos, distribuídos pelos diferentes cursos: Básico de Teologia - 91 alunos; Complementar de Formação de Catequistas - 3; Música Litúrgica (Preparatório, Geral e Salmistas) - 67; Acólitos - 21; Leitores - 14; Visitadores Pastorais em Instituições de Terceira Idade - 81 alunos. Agradeceu ainda a colaboração dos secretariados diocesanos, a dedicação dos professores e a confiança que várias comunidades da diocese depositam no Centro, sublinhando o papel dos alunos antigos e atuais na divulgação das atividades.

Seguiu-se uma comunicação sobre A Igreja e a Primeira República, pronunciada por D. Manuel Clemente, que percorreu o relacionamento da Igreja com a sociedade portuguesa, na vertente eclesiástico-política, no período compreendido entre 1901 a 1913. Tomou como ponto de partida o caso Calmon, expressão do conflito desencadeado pela fação mais radical do pensamento e do partido republicano. Esteve na base do decreto de Hintze Ribeiro sobre as congregações religiosas, autorizadas pelo poder político se se dedicassem às missões, ao ensino ou à vida hospitaleira. Na mesma altura despontava entre os professores e alunos da Universidade de Coimbra um filão de pensamento, segundo o qual a religião podia ser positiva para as sociedades, que deu origem ao CADC. D. Manuel aludiu depois à fundação dos Centros Nacionais em 1903, que derivaram para o Partido Nacionalista. Este confundiu a causa da Igreja com a sua, agravando as relações entre a Igreja e a república que se estava a preparar. Houve, contudo, entre os católicos quem não confundisse as duas causas, defendendo que os católicos podiam votar noutros partidos, como bem revela a contenda entre o Novo Mensageiro do Coração de Jesus, ligado aos jesuítas, e a Voz de Santo António, dos franciscanos de Montariol. A comunicação evocou ainda a grande peregrinação nacional ao Sameiro, ocorrida em 1904, no cinquentenário da definição dogmática da Imaculada Conceição. O grande número de fiéis envolvidos, revelador da força que o catolicismo mantinha na sociedade, constituiu-se também num dos motivos da derivação dos Centros Nacionais para o Partido Nacionalista. Passando ao período posterior à proclamação da república, D. Manuel reportou-se à catadupa de legislação que o governo republicano emanou contra as instituições católicas e à lei da separação do Estado das igrejas de 1911, nalgumas das suas determinações, nomeadamente no que se refere às associações cultuais. Depois de mencionar brevemente a reação do episcopado e do papa Pio X e a expulsão dos bispos das suas sés, terminou com uma referência ao Apelo de Santarém de 1913, dirigido pelos bispos aos católicos portugueses. À visão otimista do catolicismo português, o episcopado juntava um apelo aos católicos para que defendessem e promovessem a Igreja no quadro político vigente.

Após uma breves palavras proferidas pela Enf. Isabel Ribeiro, coordenadora de formação do Secretariado Diocesano da Pastoral da Saúde, a propósito do Curso de Educação da Sexualidade que se realizou entre Março e Junho passado, numa iniciativa conjunta do referido Secretariado e do Centro, D. Manuel entregou os diplomas aos alunos que terminaram no último ano letivo o Curso Básico de Teologia, os Curso de Acólitos, Leitores e Salmistas, o Curso Geral de Música Litúrgica e o Curso de Educadores no âmbito da Educação da Sexualidade. A sessão solene foi encerrada com uma breve a intervenção musical dos alunos que terminaram os Cursos de Música Litúrgica e do Coro da Escola Diocesana de Ministérios Litúrgicos, interpretando obras de Bach e Palestrina.