Sessão Solene de Início do Ano Letivo 2016/2017

 

 

 

 

«A misericórdia, chave de leitura do pontificado de Francisco»

Conferência do P. José M. Pacheco Gonçalves na abertura do ano letivo 2016/2017

Realizou-se no sábado, 15 de outubro de 2016, a sessão solene de início do ano letivo do Centro de Cultura Católica (CCC), sob a presidência de D. António Francisco dos Santos, bispo do Porto. Compareceram vários professores e alunos, a que se juntaram familiares e amigos, sobretudo daqueles que concluíram os seus cursos no ano letivo anterior e nesse dia receberam os seus diplomas.

Após a invocação do Espírito Santo através do canto do Veni Creator Spiritus, pelo coro da Escola Diocesana de Ministérios Litúrgicos, dirigido por António Mário Costa, o P. Adélio Abreu, diretor do CCC, saudou os presentes, enquadrou a sessão e o ano letivo no âmbito do lema Renovai-vos nas fontes da alegria, que repercute o lema diocesano para presente o ano pastoral, e apresentou a situação atual do CCC, que no ano que começa conta com cerca de 30 professores e 131 alunos, distribuídos pelos diferentes cursos: Básico de Teologia - 49 alunos; Complementar de Formação de Catequistas - 3; Acólitos - 14; Leitores – 9; Música Litúrgica (Preparatório, Geral e Salmistas) - 56.

No contexto do Jubileu da misericórdia, que decorre até 20 de novembro de 2016, seguiu-se uma conferência do P. José Maria Pacheco Gonçalves, presbítero da diocese do Porto e colaborador do pároco de Canidelo, que trabalhou muitos anos na secção portuguesa da Rádio Vaticano e acompanha de perto o magistério pontifício e a atividade da Santa Sé, sobre A misericórdia, chave de leitura do pontificado de Francisco. Na sua intervenção percorreu o magistério e os gestos do papa Francisco desde o início do seu pontificado, sob o prisma da misericórdia, evidenciando a sua profunda coesão interna. Tomou como ponto de partida, a homilia da missa com os novos cardeais, em fevereiro de 2015, quando Francisco referiu que Jesus «não se envergonha de ter compaixão» e que o seu caminho é «caminho da misericórdia e da integração». Acrescentou ainda o P. José Maria que não basta determo-nos «em certo número de intervenções orais mais expressivas» de Francisco, mas é necessário «referir também gestos e atitudes, decisões e intervenções que manifestam uma orientação de fundo, um estilo, um dinamismo, que tem a misericórdia como tonalidade dominante». Esta tonalidade dominante evidenciou-a Francisco desde a aurora do seu pontificado, quando quatro dias após a sua eleição presidiu à eucaristia na paróquia de Sant’Ana, no Vaticano, e sublinhou ser a misericórdia «a mensagem mais forte do Senhor». Reiterou-a logo a seguir na celebração solene de início do ministério petrino, a 19 de março de 2013, ao dizer que «não devemos ter medo da bondade e da ternura».

De mãos dadas com a misericórdia, anda a ideia de proximidade expressa em tantos gestos e palavras, como aconteceu na ida de Francisco a Lampedusa em julho de 2013, para se encontrar com os refugiados sobreviventes de um trágico naufrágio, deplorando então a «globalização da indiferença» e a «anestesia do coração». Também se reconhece ao papa uma frontalidade não habitual na abordagem da questão da pobreza, «a partir da relação distorcida com o dinheiro, com referência à crise financeira». A reflexão anterior pôde depois desembocar no seu texto programático, a exortação Evangelii gaudium, quando apresenta a opção pelos pobres sobretudo como uma categoria teológica. Para o P. José Maria, enquanto fio condutor do pontificado de Francisco, a misericórdia «não é uma questão intimista, espiritualista, devocionista: inclui também, e com todo o destaque, uma dimensão concreta, mesmo político-social».

A reflexão sobre a misericórdia no pontificado de Francisco continuou a coligir ideias da Evangelii gaudium, nomeadamente quando Francisco refere que prefere «uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja doente por estar fechada, agarrada às próprias seguranças». Foi também evidenciado o perfil requerido por Francisco para a escolha dos bispos: «Pastores próximos do povo, pais e irmãos, sejam mansos, pacientes e misericordiosos». A misericórdia ainda foi apresentada, «enquanto amor por todas as criaturas», a propósito da questão ecológica, abordada na encíclica Laudato si’, e no «acompanhar, discernir e integrar a fragilidade» em contexto familiar, que Francisco referiu na Amoris laetitia, na sequência dos sínodos sobre a família.

Finda a conferência, D. António Francisco dos Santos entregou os diplomas aos alunos que terminaram os seus cursos. Em 2015/2016 concluíram a sua formação sete alunos do Curso Básico de Teologia, quatro do Cursos de Acólitos e um do Curso de Salmistas.

O bispo portucalense tomou então a palavra para saudar todos os presentes, nomeadamente os professores e alunos. Centrou, depois, a sua intervenção em quatro ideias: esperança no início de um novo ano que nos leva a perspetivar bons frutos a multiplicar por toda a diocese; gratidão às comunidades que veem e entendem a importância da formação; trabalho como marca do CCC no concreto dos seus professores, alunos e colaboradores; consciência de Igreja, integrando a ação do CCC no quadro da Igreja universal em comunhão com o papa Francisco e no contexto da Igreja do Porto com sua coordenação pastoral. Terminou com a invocação da proteção de Maria, na linha do plano diocesano de pastoral, apelando a que «com Maria, nos renovemos nas fontes da alegria» e reconhecendo a ajuda do CCC nesta renovação.

A sessão solene foi encerrada com uma breve participação musical dos alunos do Curso de Música Litúrgica. Foram interpretados ao órgão um andamento da Sonata n. 4 Op. 65 de Mendelssohn e o prelúdio e fuga em sol menor (BWV 535) de Bach, e o coro cantou Ex Sion de Rheinberger.