Sessão Solene de Início do Ano Letivo 2018/2019

 

 

 

 

«Que este Centro continue a […]ser um excelente serviço à nossa Igreja»

D. Manuel Linda na abertura do ano letivo 2018/2019

Realizou-se no sábado, 20 de outubro de 2018, a sessão solene de início do ano letivo do Centro de Cultura Católica (CCC), sob a presidência de D. Manuel Linda, bispo do Porto. Compareceram vários professores e alunos, a que se juntaram familiares e amigos, sobretudo daqueles que concluíram os seus cursos no ano letivo anterior e nesse dia receberam os seus diplomas.

Após a interpretação de Veni Creator Spiritus pelos alunos do Curso de Música Litúrgica, dirigidos pelo professor Daniel Ribeiro, o P. Adélio Abreu, diretor do CCC, saudou os presentes, enquadrou a sessão e o ano letivo no âmbito do lema Discípulos formados para a missão, que parafraseia e concretiza o lema diocesano para presente ano pastoral, e apresentou a situação atual do CCC, que no ano que começa conta com cerca de 30 professores e 109 alunos, distribuídos pelos diferentes cursos: Básico de Teologia - 48 alunos; Complementar de Formação de Catequistas - 1; Acólitos - 10; Leitores - 5; Música Litúrgica (Preparatório, Geral e Salmistas) - 47. Dos 31 alunos inscritos na formação em Iconografia Cristã, 9 fazem-no só nesta formação e os restantes em conjunto com outro curso. À soma total referida podem ainda acrescentar-se os 36 alunos que iniciaram em julho passado o Curso de Verão de Música Litúrgica, se bem que a sua presença no CCC seja mais pontual e intensiva.

Seguiu-se a conferência prevista para esta sessão, este ano confiada ao P. Emanuel Brandão de Sousa, pároco de Valadares (Vila Nova de Gaia), que abordou o tema D. António Ferreira Gomes: Um pastor plenamente conciliar e à altura do seu tempo. Partilhou com os presentes algumas das conclusões da sua dissertação de doutoramento em Teologia pastoral defendida na Universidade Pontifícia de Salamanca e recentemente publicada. Propôs-se averiguar a receção do II Concílio do Vaticano na diocese do Porto e procurar os desafios e prioridades pastorais que a doutrina e da ação pastoral de D. António Ferreira Gomes colocam ao anúncio do evangelho na cultura atual. Referiu que D. António entendeu o concílio como uma abertura de fronteiras à história, à cultura contemporânea, à unidade ecuménica e ao diálogo com as outras religiões e, por fim, ao laicado. Tendo em conta esta abertura, o conferencista destacou os aspetos do concílio que D. António melhor assimilou, mencionando desde logo a sua oportuna palavra para cada momento cultural, tanto mais que o bispo se situou entre dois tempos: a guerra e a paz; a ditadura e a democracia; o antes e o pós-concilio.

No que respeita à doutrinação, o bispo portucalense deu particular atenção à renovação do ministério eclesiástico e ao desenvolvimento da corresponsabilidade eclesial ao nível universal, diocesano e paroquial. No que reporta à ação pastoral, incentivou a criação dos conselhos paroquiais de pastoral e os órgãos de coordenação pastoral em ordem a uma pastoral de conjunto. Para promover a presença da Igreja no mundo, estimulou a criação da Comissão Justiça e Paz. Para responder às profundas mudanças culturais, promoveu uma atualização dos agentes de pastoral, clero e leigos. Entre várias iniciativas do prelado neste âmbito, o P. Emanuel Brandão referiu o revigorar do Centro de Cultura Católica como escola de atualização permanente.

Por fim, o conferencista referiu-se aos grandes desafios e prioridades pastorais, que derivam do pensamento e da ação pastoral de D. António, detendo-se sumariamente nos seguintes: a transmissão da fé, o diálogo com a cultura contemporânea, o compromisso social dos cristãos, a pastoral da comunhão e estruturas comunitárias, a centralidade da reconciliação e da paz. A concluir, afirmou que D. António Ferreira Gomes, com uma formação pré-conciliar, foi capaz de perceber o espírito conciliar e as mudanças pastorais que este exigia, sendo, portanto, um pastor conciliar e à altura do seu tempo.

De seguida, D. Manuel Linda entregou os diplomas aos alunos que terminaram os seus cursos. Em 2017/2018, concluíram a sua formação 3 alunos do Curso Básico de Teologia, 3 do Cursos de Acólitos, 3 do Curso de Leitores e 2 do Curso de Geral de Música Litúrgica.

D. Manuel Linda fez então uso da palavra para saudar os presentes, particularmente os que receberam os diplomas, e para referir que a diocese do Porto é privilegiada em muitos aspetos, nomeadamente na dimensão de uma cultura, que é simultaneamente formação e intervenção no interior da Igreja e na sociedade. Evocando um conjunto de iniciativas e instituições dedicadas à formação, referiu-se concretamente ao Centro de Cultura Católica, com mais de 50 anos de existência, que se distingue pelo facto de ministrar uma formação ao serviço da edificação da Igreja e da sua presença no mundo, seja através dos ministérios litúrgicos, seja do Curso Básico de Teologia.

Sem desprimor pelos restantes ministérios, todos igualmente importantes, D. Manuel quis sublinhar o papel do Centro na formação para o ministério da música litúrgica, pela singularidade da oferta, que não se encontra noutros lados. Aproveitou para afirmar que a diocese do Porto foi porventura a que levou a formação litúrgico-musical mais a sério, numa conjugação de esforços em que há referir também a ação Serviço Diocesano de Música Litúrgica e do Secretariado Diocesano de Liturgia. Reconhecendo que a formação ministrada contribuiu e contribui para melhorar a qualidade musical das celebrações litúrgicas, se bem que haja ainda muito caminho a percorrer, o bispo do Porto desafiou os presentes a empenharem-se no sentido duma melhor participação das assembleias litúrgicas no canto, não descurando a qualidade, mas «elevando aqueles que não tem participação tão direta nas funções litúrgicas a um patamar em que entendam, tenham gosto e assumam como sua aquela celebração». A terminar, agradeceu o empenho de todos nas iniciativas do Centro, destacando a ação da direção e dos professores e o sacrifício dos alunos que desinteressadamente se formam para o serviço eclesial, e mostrou o seu «contentamento por termos este grande e excelente Centro de reflexão. Sem ele a nossa diocese do Porto não era aquilo que é. […] Que este Centro continue a habituar-nos àquilo a que nos habituou: ser um excelente serviço à nossa Igreja».

A sessão foi concluída com algumas intervenções dos alunos do Curso de Música Litúrgica: Rodrigo Oliveira e José Miguel Silva interpretaram ao órgão respetivamente Fanfare de J-N. Lemmens e Nun danket alle Got de Karg-Elert; o coro interpretou Jesu, Rex admirabilis de Palestrina. Assim se iniciaram solene e festivamente as atividades do CCC no ano 2018/2019, em sintonia com o plano diocesano de pastoral da diocese do Porto, que impele os fiéis a serem Todos discípulos missionários.